Rumor de Lula em ministério faz dólar fechar a R$ 3,652

SÃO PAULO – Os rumores de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pode assumir um ministério pioraram o humor dos investidores, acentuando a alta do dólar e a queda na Bolsa de Valores de São Paulo. A moeda americana encerrou os negócios cotada a R$ 3,650 na compra e a R$ 3,652 na venda, alta de 1,72% ante o real. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), às 17h02, recuava 1,12%, aos 49.083 pontos.

A divisa operou em alta desde o início dos negócios, acompanhando o mercado externo, mas o movimento se intensificou na hora final de negociação. Segundo notícia da colunista Mônica Bergamo, do jornal “Folha de S.Paulo”, a presidente Dilma Rousseff aguarda apenas um telefonema do ex-presidente afirmando que aceita um cargo de ministro em seu governo. Já a Justiça Paulista encaminhou o pedido de prisão preventiva do ex-presidente, proposto pelo Ministério Público de São Paulo, para o juiz Sérgio Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.

— Essa notícia do ex-presidente assumir um ministério pegou um pouco mal e ajudou a potencializar a queda da Bolsa e a alta do dólar. O mercado está recebendo mal essa notícia — disse o analista Rafael Omati, da Guide Investimentos.

Na avaliação de Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, os agentes dos mercados financeiros já haviam antecipado a maior adesão às manifestações contra o governo e, agora, esperam por novos fatos e aproveitam para embolsar os ganhos dos últimos pregões. Além disso, no exterior, o preço das matérias primas opera em queda, o que tende a pressiona a moeda de países exportadores. O “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mede a variação da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas, registrava alta de 0,46%, próximo ao horário de encerramento do mercado de câmbio no Brasil.

— O que vai fazer o mercado andar novamente é um novo fluxo de notícias. Internamente, a questão do rito do processo de impeachment ou novos fatos que possam enfraquecer o governo. Além disso, a recuperação está baseada nas expectativas, apartado da economia, que está ruim. Então há um limite para a recuperação dos mercados — avaliou.

Do ponto de vista externo, investidores e analistas estão atentos a novos sinais de recuperação da economia americana que possam levar a novas altas das taxas de juros nos Estados Unidos. O Fomc, comitê de política monetária do Federal Reserve (Fed, o bc americano) irá se reunir nesta semana. Já o preço das commodities vem perdendo força.

Ricardo Gomes da Silva, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio, lembra que é grande a expectativa em torno da continuidade, pelo Congresso Nacional, do rito de abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. “É possível prever a reação dos agentes econômicos para os próximos dias ante a magnitude dos movimentos, que deverá ensejar a manutenção do viés de queda do dólar e acentuar os ganhos no mercado acionário”, avaliou, em relatório a clientes.

PETROBRAS RECUA

Na Bolsa, além da notícia sobre a possibilidade de Lula ser ministro, contribui para a queda do índice Ibovespa o desempenho das ações da Petrobras. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) são negociadas a R$ 7,44, queda de 8,03%, e as ordinárias (ONs, com direito a voto) recuam 4,75%, a R$ 9,61. No mercado internacional de petróleo, o barril do tipo Brent cai 2,20%, a US$ 39,50.

— As commodities estão mostrando sinais de enfraquecimento desde a sexta-feira e isso pode levar a um processo de correção no preço das ações — afirmou Figueredo, da Clear.

Paulo Nogueira Gomes, economista-chefe da Azmut Brasil, lembra ainda que apesar da expectativa positiva em relação a mudanças na área política, os dados econômicos ainda estão muito fracos.

— O indicador de atividade do Banco Central, o IBC Br, veio muito ruim. E também há um movimento de realização. É um caso de compra no boato e vende no fato, ou seja, depois das manifestações de domingo, o mercado está realizando um pouco — avaliou.

Os papéis da Vale também registram queda. Os PNs caem 3,94% e os ONs recuam 1,51%.

No mercado acionário externo, o DAX, de Frankfurt, fechou em alta de 1,62% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, registrou alta de 0,31%. Já o FTSE 100, de Londres, teve valorização de 0,57%. Nos Estados Unidos, os principais índices estão perto da estabilidade. O Dow Jones tem pequena variação positiva de 0,11% e o S&P 500 registra leve desvalorização de 0,09%.

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