Recuperação do Brasil não virá do setor externo, diz Teresa Ter-Minassian

RIO – A recuperação da economia brasileira não deve ser puxada pelo setor externo, na avaliação da economista Teresa Ter-Minassian, ex-diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para a especialista em Brasil, o país terá que contar com reformas estruturais internas para voltar a crescer de forma sustentável.

— Infelizmente, o panorama da economia global não justifica esperanças na recuperação conduzida pelo setor externo. O Brasil precisará depender de suas próprias forças para sair da crise atual — afirmou nesta sexta-feira a economista, durante seminário na Fundação Getulio Vargas (FGV), no Rio.

Em meio à crise política, Ter-Minassian avaliou que a resolução do impasse em Brasília — independentemente do desfecho — não será suficiente para reativar a economia.

— As esperanças para a recuperação sustentável estão em uma resolução no curto prazo da incerteza política. Mas só ter um novo governo ou confirmar o atual não será suficiente. O crescimento sustentável vai exigir uma estratégia nacional, com reformas estruturais que tornem a economia mais competitiva, mais produtiva e mais resiliente — afirmou a economista.

REFORMA FISCAL PELAS DESPESAS

A economista italiana já viu de perto outra crise brasileira. No fim dos anos 1990, como diretora adjunta do Departamento de Hemisfério Ocidenral do FMI, comandou as negociações do Fundo com o país — que na época passava por uma forte crise de balanço de pagamentos. Agora, como consultora internacional independente, afirma um ajuste fiscal profundo — uma solução para a crise que foi consenso entre os economistas que participaram do seminário de dois dias, realizado pela FGV em parceria com o FMI.

— O ajuste fiscal é virtualmente impossível hoje no Brasil sem reformas fiscais, especialmente no lado das despesas, dado o alto nível da carga tributária — recomenda.

Entre os pontos na política fiscal brasileira que precisa, Teresa Ter-Minassian resumiu observações feitas por quase todos os economistas que participaram do encontro. destacou o alto grau de rigidez das despesas, que inviabilizam corte de gastos, além da indexação de aposentadorias e benefícios sociais ao salário mínimo.

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