Propostas da Ser Educacional e da Kroton não devem arrancar um ‘sim’ da Estácio

RIO – As propostas de casamento da Ser Educacional e a que poderá ser apresentada pela Kroton não devem arrancar um “sim” da Estácio, segundo João Cox Neto, presidente do Conselho de Administração da companhia. Ele defende que o grupo tem que “olhar para tudo que gere valor para o acionista”. E que o foco está em reestruturar a empresa, ampliar receitas e comprar grupos de médio e grande porte.

– Como administradores, não podemos gerir um negócio pensando em terceiros. Não é porque a Kroton ou a Ser querem fazer negócio conosco que vamos deixar de olhar para o nosso próprio negócio. Demos início à reestruturação organizacional. Está claro que a estratégia de comprar pequenas empresas não se transformou na mais interessante. A área de educação é um negócio em consolidação, no qual vale comprar médias e grandes empresas – diz Cox.

Ele esclarece que, formalmente, a companhia tem só uma proposta sobre a mesa, a da Ser Educacional. A da Kroton é conhecida a partir do que é noticiado pela mídia, já que ainda não foi apresentada à Estácio.

– Se você quer comprar o meu carro, por exemplo, pode oferecer menos para ver se eu topo vender um pouco mais barato. Mas não pode oferecer um valor que não é um valor de mercado – comenta ele sobre a possível oferta da Kroton.

No início do mês, a Kroton anunciou que faria uma proposta de fusão com a Estácio. Poucos dias depois, a Ser Educacional passou à frente da líder do setor e apresentou uma oferta de união com o grupo carioca. Ela propõe pagamento de R$ 590 milhões em dividendos aos acionistas da Estácio, que ficariam com 68,7% da nova companhia, caso o negócio seja fechado.

Já a Kroton deve elevar o prêmio pago na proposta de troca de ações com a Estácio, diz uma fonte. A oferta original seria de 0,97 vez o preço da ação emitida pela Kroton por cada papel da Estácio. Agora, pode subir a 1,15, como projetado por investidores.

Cox enfatiza que medidas vêm sendo tomadas, mas que antes mesmo da primeira reunião do novo Conselho, que tomou posse no fim de abril, a empresa já havia recebido duas ofertas não solicitadas.

– Já fazemos mudanças, como na diretoria, o que evidencia cortar custos em cima. Há outras medidas começando a ser tomadas em otimizações de custos, alterações de estratégia de marketing, de precificação – enumera Cox, que integra o comitê criado pela Estácio para assessorar o Conselho a avaliar, negociar e formular propostas comerciais.

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