Produção industrial do Amazonas cai 16,4%

Nos últimos doze meses, a produção industrial do Amazonas registrou o segundo pior desempenho do país aponta o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). De acordo com os números do instituto divulgados ontem (8), a indústria amazonense recuou 16,4% no acumulado de doze meses. Na comparação com setembro de 2015, a queda de produção foi na ordem de -10,9%. Apenas na passagem de agosto para setembro a produção registrou leve alta de 0,5%. O setor de outros equipamentos de transporte (-32,8%) exerceu a influência negativa mais relevante sobre o total da indústria, pressionado, em grande parte, pela menor produção de motocicletas e suas peças. img_3756editada

Segundo a pesquisa, a taxa acumulada nos últimos doze meses, recuou 16,4% em setembro de 2016, reduzindo o ritmo de queda frente ao verificado no mês de junho (-18,1%), julho (-17,1%) e agosto (-16,6%) e assinalou a taxa negativa menos elevada desde novembro de 2015 (-15,3%). O indicador é liderado pelo Espírito Santo (-20,2%). Já a média nacional foi de 8,8%. Em relação a setembro de 2015, a indústria do Estado registrou queda de produção na ordem de -10,9%, e a nacional de 4,8. De janeiro a setembro deste ano, a indústria do Amazonas também teve perdas. A baixa foi de -13,7% e a nacional de -7,8%, com 13 dos 15 locais tendo apresentado produção menor.

Na avaliação do presidente do Cieam (Centro da Indústria do Estado do Amazonas), Wilson Périco, os indicadores negativos da produção industrial são reflexo do cenário de recessão econômica nacional. “Esse resultado não é surpresa sendo reflexo do momento de crise que o Brasil ainda está se recuperando. O PIM (Polo Industrial de Manaus) é ligado ao restante do país, se ele não está bem e apresenta altos índices de desemprego isso afetará o desempenho do setor”, afirma.

Por outro lado, a produção industrial do Estado ajustada sazonalmente mostrou variação positiva de 0,5% em setembro deste ano, frente ao mês anterior, interrompendo três meses consecutivos de queda na produção, período em que acumulou perda de 7,7%. Outros oito dos 14 locais pesquisados pelo IBGE também tiveram resultados positivos. “Mesmo pegando um curto período de estabilização não podemos falar em uma retomada, porque estamos fazendo um comparativo com um período que já era ruim. Então, estamos aguardando as medidas do governo e na hora que estabilizar o desemprego no país, isso dará maior segurança ao consumidor voltar a comprar não só bens de primeira necessidade”, destaca o presidente do Cieam acrescentado que, a retomada da economia deva acontecer entre o final do ano que vem e início de 2018.

Segmentos
De acordo com o IBGE, sete das dez atividades pesquisadas assinalando recuo na produção se comparado a setembro de 2015. O setor de outros equipamentos de transporte (-32,8%) exerceu a influência negativa mais relevante sobre o total da indústria, pressionado, em grande parte, pela menor produção de motocicletas e suas peças. Para Périco, é preciso tomar medidas para diversificar a produção no PIM. “O segmento de duas rodas e eletrônico são as grandes colunas do polo e há necessidade de diversificar o setor aprovando os PPBs (Processos Produtivos Básicos) para atrair outros segmentos. Além disso, tem que ser revisto as novas matrizes econômicas e olhar para o interior do Estado com o intuito de não sermos tão dependentes do PIM”, avalia o presidente.

Vale mencionar ainda os recuos vindos dos setores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-11,2%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-7,7%), de bebidas (-4,9%) e de máquinas e equipamentos (-24,4%), explicados, em grande medida, pela menor produção de gravador ou reprodutor de sinais de áudio e vídeo (DVD, home theater integrado e semelhantes).

Por outro lado, os setores de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (11,4%), de produtos de metal (7,1%) e de produtos de borracha e de material plástico (7,5%) assinalaram as contribuições positivas sobre o total da indústria, impulsionados, especialmente, pela maior fabricação de chicotes elétricos para a transmissão de energia, fios, cabos e condutores elétricos.

Cenário nacional
Em termos de Brasil, ao todo, 9 dos 14 locais pesquisados tiveram desempenho positivo, com expansão de 0,5% no índice nacional. O Espírito Santo marcou (9,0%), Minas Gerais (2%), São Paulo (1,6%), Rio Grande do Sul (0,7%), região Nordeste (0,6%), Pará (0,5%), Rio de Janeiro (0,5%) e Pernambuco (0,2%). Dois Estados mantiveram em setembro o mesmo nível de produção do mês anterior: Paraná e Santa Catarina. Três Estados tiveram queda: Goiás (-3,3%), Ceará (-1,9%) e Bahia (-1,6%).

Transportes e eletrônicos têm maiores queda

Ainda segundo o IBGE, de janeiro-setembro de 2016 o setor industrial do Amazonas recuou 13,7% frente a igual período do ano anterior e nove das dez atividades pesquisadas mostrando queda na produção. Os setores de equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos (-24,8%) e de outros equipamentos de transporte (-29,4%) exerceram as influências negativas mais relevantes sobre o total da indústria, pressionados, em grande parte, pela menor produção de televisores, gravador ou reprodutor de sinais de áudio e vídeo (DVD, home theater integrado e semelhantes).

Também registraram recuo os setores de máquinas e equipamentos (-55,6%), de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-18,5%), de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-2,7%) e de produtos de borracha e de material plástico (-13,2%) explicados, em grande medida, pela menor produção de aparelhos de ar-condicionado de paredes, de janelas ou transportáveis (inclusive os do tipo “split system”).

Em contrapartida, o único impacto positivo veio do ramo de bebidas (3,0%), impulsionado, especialmente, pela maior produção de preparações em xarope para elaboração de bebidas para fins industriais.

Informações Jornal do Commercio Am

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