Produção industrial contraria previsões e avança 0,1% em abril

RIO – A produção industrial brasileira surpreendeu em abril e avançou 0,1% frente a março, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pelo IBGE. A expectativa do mercado financeiro era de uma queda de 0,9% ante o mês anterior, de acordo com estimativas da Bloomberg. A alta acumulada em março e abril é de 1,6%. Já na comparação com o mesmo mês do ano anterior, houve recuo de 7,2%. Esta foi a 26ª queda consecutiva neste tipo de análise e também veio melhor do que a previsão dos analistas, que era de recuo de 8,7%. No ano, a indústria recua 10,5%. Em 12 meses, a queda é de 9,6%.

Os alimentos foram o principal impacto positivo na produção industrial de abril, frente ao mês anterior, com alta de 4,6%. Em março, o segmento tinha recuado 6%. A segunda maior influência veio de produtos derivados de petróleo e biocombustíveis, com crescimento de 4%, após perda de 6,7% em março.

Na comparação com abril de 2015, as taxas negativas são mais espalhadas. A produção de bens de capital recuou 16,5%, acompanhada por retração de 7,5% em bens intermediários. Os bens duráveis, por sua vez, caíram 23,7%. Por outro lado, os bens de consumo semiduráveis e não duráveis tiveram alta de 1,9%.

A cana-de-açúcar teve influência no resultado da produção industrial de abril, já que o processo de moagem foi antecipado por causa de questões climáticas. Com isso, afetou positivamente tanto o açúcar — que puxou a produção de alimentos — quanto o álcool — que é parte do grupo de biocombustíveis.

— Alimentos e biocombustíveis tiveram influência importante para explicar a variação de 0,1% em abril, mas ainda há um predomínio das atividades em queda, com 13 dos 24 ramos. O resultado positivo é sempre melhor, mas em nada reverte a trajetória negativa da produção industrial — afirmou o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Macedo.

Entre as categorias de uso da indústria, bens de capital e bens intermediários avançaram em abril, frente a março, com taxas de 1,2% e 0,5%, respectivamente. No caso de bens duráveis, no entanto, a produção teve queda de 4,4% em duráveis e 0,6% em semiduráveis e não duráveis.

Na passagem entre março e abril, 11 dos 24 segmentos pesquisados tiveram taxas positivas. Se os alimentos foram a principal influência para a alta, os veículos automotores foram os que mais puxaram para baixo o resultado do mês, com queda de 4,5%. Os produtos farmacêuticos também tiveram influência negativa, ao recuarem 10,9%. Com o desempenho de abril, esses dois setores eliminaram a expansão registrada em março, que tinha sido de 2% e 10,5%, respectivamente.

PRODUÇÃO DE VEÍCULOS RECUA 20%

Já a queda de 7,2% na comparação com abril de 2015 foi influenciada principalmente pelo tombo de 15,7% da indústria extrativa e perda de 20,6% em veículos automotores. Nesta base de comparação, 21 dos setores pesquisados tiveram taxas negativas, enquanto cinco registraram crescimento. O destaque positivo foi a alta de 12,3% em alimentos, puxada por açúcar.

As taxas positivas de março e abril ainda não compensam a queda de 2,9% registrada no mês de fevereiro. No entanto, esta é a primeira vez que a pesquisa mostra duas taxas positivas em sequência desde julho e agosto de 2014.

Após oito trimestres seguidos de retração, a indústria ficou no mesmo patamar de produção de sete anos atrás nos três primeiros meses deste ano, de acordo com dados do Produto Interno Bruto (PIB), divulgados na quarta-feira pelo IBGE. Mesmo assim, analistas destacam que o resultado do setor no início de 2016 — quando recuou 1,2% em relação ao último trimestre de 2015 — veio ligeiramente melhor do que o previsto, graças a um ajuste de estoques no setor e à recuperação das exportações.

Apesar disso, o setor caminha para acumular três anos seguidos de retração, quando consideradas as previsões para 2016. De acordo com o último relatório Focus do Banco Central, que reúne as principais estimativas do mercado, a produção industrial deve encolher 6% este ano e registrar alta de 0,9% em 2017. No ano passado, a indústria brasileira registrou queda recorde de 8,3% na produção — a maior em 13 anos.

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