Petroleiras americanas perderam US$ 67 bilhões no ano passado

RIO – A queda da cotação do petróleo no mercado internacional fez as empresas do setor que atuam nos Estados Unidos perderem US$ 67 bilhões em 2015, segundo levantamento da Agência de Informações de Energia (EIA , na sigla em inglês), divulgado pelo “CNN Money“. Em algumas companhias, as perdas superam a marca de US$ 1 bilhão, casos da EOG Resources, Devon Energy e Linn Energy.

A pesquisa considera 40 empresas de capital aberto. O estudo considerou companhias que atuam apenas em blocos terrestres, e exclui gigantes como a Exxon Mobil, que foi rebaixada pela S&P nesta terça-feira, e a Chevron devido à grande participação destas na atividade em alto mar.

Segundo o “CNN Money”, os dados revelam que as companhias mais vulneráveis a perdas foram aquelas com dívida elevada, contraída principalmente nos anos de alta da commodity. A dívida a longo prazo total das 18 companhias que registraram os maiores prejuízos soma US$ 57 bilhões. O déficit combinado das outras 22 é de US$ 40 bilhões.

De acordo com a EIA, o grupo das empresas de dívida elevada viu suas reservas despencarem 21% no ano passado, enquanto a redução no outro grupo foi de 6%.

As petroleiras mais endividadas são as que provavelmente fizeram empréstimos para realizar explorações arriscadas ou ampliar campos de petróleo que não são rentáveis, o que pode ser prejudicial aos negócios diante da queda dos preços.

“Parece que essas companhias que tiveram maior alavancagem também foram as que apostaram mais alto. Isso é o que mais prejudica”, afirmou Matt Smith, diretor de pesquisa de commoditis do ClipperData, ao portal da CNN.

Apesar da modesta recuperação dos preços do barril de petróleo em fevereiro — quando subiram de US$ 22 para cerca de atuais US$ 44 —, as petroleiras ainda estão sob forte pressão do mercado. Os principais bancos de Wall Street projetam mais queda este ano antes de uma possível estabilização das cotações frente à dificuldade de firmar um acordo entre potências do setor para congelar a produção global em níveis recordes de janeiro.

O “CNN Money” cita ainda o processo de “redeterminação” dos bancos, que podem reduzir ou até mesmo cortar linhas de crédito para empresas produtoras de petróleo diante do cenário adverso. A EIA advertiu que as companhias com “alta alavancagem ou ativos de menor qualidade podem enfrentar redução significativa” do acesso ao crédito de curto prazo, o que poderia restringir a capacidade de atuação ou até mesmo levar à falência.

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