Petróleo terá altos e baixos antes de se estabilizar, afirmam especialistas

CINGAPURA — Ainda que as negociações entre produtores de petróleo para congelar a produção tenham fracassado em Doha, uma greve de trabalhadores de petróleo no Kuwait, que vem afetando a produção do país, pode ajudar o mercado, afirmam, em notas separadas, os bancos Goldman Sachs e Barclays. Ambas as instituições alertaram seus clientes sobre um possível aumento de volatilidade no preço do produto. O Citigroup também prevê oscilações, porém afirma que os preços estão baixos demais para sustentar as perdas nos campos mais antigos e acomodar o crescimento da demanda.

O preço do petróleo caiu mais de 6,8% nesta segunda-feira, depois que a reunião de produtores acabou sem um acordo final. As negociações fracassaram quando a Arábia Saudita e outros países do Golfo Pérsico se negaram a fechar um acordo a menos que todos os membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) fizessem parte dele, incluindo o Irã, que não participou do encontro.

Por outro lado, a produção do Kuwait caiu 60% devido a uma greve por tempo indeterminado. Os preços do petróleo tinham aumentado em mais de 30% desde meados de fevereiro, quando se anunciou um plano preliminar para congelar a sua produção. A nota assinada por analistas da Barclays no dia 17 de abril afirma:

“A crise de confiança que impede os produtores de petróleo de agirem, somada à elevada especulação nos mercados de petróleo antes da reunião em Doha, poderia provocar uma queda abrupta dos preços a curto prazo”. Entretanto, “os balanços do mercado de petróleo físico se ajustaram recentemente, ajudados por quedas não planejadas da oferta e uma desaceleração do crescimento dela em países de fora da Opep. Neste fim de semana, também houve novos cortes da oferta com greves no Kuwait e interrupções de produção na Nigéria e no Canadá”.

GREVE

Ainda que a paralisação dos trabalhadores de petróleo no Kuwait possa se revelar efêmera, as interrupções atuais da produção em países membros da Opep, a redução de produção fora da Opep e o congelamento programado indicaram recentemente uma melhora dos fundamentos do mercado devido à estabilidade da demanda por petróleo no primeiro trimestre, disseram analistas do Goldman Sachs em comunicado.

O Citigroup elevou sua previsão de preços do petróleo Brent (referência internacional) de Londres para 2016 a US$ 43 por barril, e do tipo West Texas Intermediate (WTI, mais comercializado no mercado americano) em Nova York a US$ 42 por barril, um aumento de US$ 3 em relação a suas estimativas anteriores, segundo informe do banco.

CORTES

Espera-se que a produção de países que não fazem parte da Opep caia em mais de 1,1 milhão de barris por dia neste ano, devido à redução da produção em países como Brasil, Estados Unidos, México e China, de acordo com analistas do Citigroup na análise.

O petróleo do tipo WTI para entrega em maio chegou a cair 6,8%, para US$ 37,61 por barril, na Bolsa Mercantil de Nova York, e operava a US$ 39,23 em Londres. O petróleo Brent na bolsa ICE Futures Europe rectocedeu 7% e ficou em US$ 40,10 por barril.

O risco de preços mais altos do petróleo é que houve impedimentos à produção e a contenção de produção que reduziram a oferta global nos últimos meses, e, ao mesmo tempo, houve uma disparada sazonal da demanda, segundo o Goldman. Isso sugere que “quando essa fase passar, o processo de reequilíbrio e a etapa de inflexão” levarão muitos meses, segundo analistas do banco.

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