Pelo menos 68% das micro empresas de SP têm falta de capital de giro

SÃO PAULO – O crédito mais restrito está deixando as micro e pequenas empresas sem capital de giro para tocar o dia a dia. O Indicador de Atividade da Micro e Pequena Indústria, encomendado pelo Simpi ao Datafolha, mostrou que este cenário piorou em fevereiro em relação a janeiro. De acordo com o indicador, no mês passado, 68% dos empresários afirmaram que o capital de giro foi muito pouco ou insuficiente, frente aos 59% em janeiro. É o pior resultado já registrado na série histórica, iniciada em março de 2013.

Dados da pesquisa mostraram que apenas um em cada dez empresários conseguiu crédito para pessoa jurídica (11%) para ser utilizado como capital de giro. Dois em cada dez empreendedores (21%) recorreram ao limite do cheque especial para utilizar como capital de giro, pagando juros elevados o que prejudica o resultado da empresa. Outros 7% tiveram acesso a capital de giro por meio de empréstimo pessoal no banco.

Desde setembro de 2014, a pesquisa realizava pelo Simpi captou a tendência de aumento de demissões nestas empresas. Nos últimos cinco meses, as demissões têm crescido e, em fevereiro passado, 26% dos industriais afirmaram ter demitido algum funcionário, ante 24% em janeiro. No caso das contratações, 12% disseram ter aberto vagas em fevereiro, em janeiro eram 8%. Mesmo assim, o saldo do emprego tem se mostrado negativo nas micro e pequenas empresas desde setembro.

O presidente do Simpi, Joseph Couri, diz que o quadro preocupa já que pode levar ao fechamento de muitas empresas. Na pesquisa, mais da metade dos entrevistados disseram que seus negócios correm o risco de fechar por causa da crise econômica. Couri observa que, se nenhuma medida for tomada, o corte de vagas de trabalho será definitivo. Pelo menos 42% das MPIs de todo Brasil estão em São Paulo.

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