Pastore defende mudança de governo para solucionar crise

O ex-presidente do Banco Central Affonso Celso Pastore reforçou o coro de economistas que defende que, se não houver uma mudança no cenário político, a autoridade monetária ficará cada vez mais de mãos atadas para conduzir os rumos da economia. Para Pastore, que comandou o BC entre 1983 e 1985, caso não haja o impeachment, o país estará caminhando para uma crise ainda mais longa da vivida por ele em sua gestão.

— Os desafios transformam a política monetária em um estilingue para matar um elefante. Temos um problema no Brasil que não conseguimos resolver com metas de inflação. Temos que salvar o Brasil para poder voltar a usar metas de inflação — disse Pastore, durante seminário sobre política monetária na Fundação Getulio Vargas, em homenagem aos 70 anos do ex-diretor do BC José Julio Senna, professor da entidade.

Pastore destacou que o maior desafio hoje no Brasil é na área fiscal. O economista estima que a relação entre a dívida bruta e o PIB — um dos indicadores que mostram a capacidade de um país de honrar seus compromissos — pode chegar a 90%, o que superaria todos os níveis históricos.

— (A dívida) cresceu 15 pontos em dois anos. Lá atrás, em 2002, também tinha ocorrido essa subida. Mas com uma diferença fundamental. Entre 2000 e 2002, havia um grupo de economistas no governo que assumiu essa herança. Pegou a dívida dos estados que estavam quebrados, por exemplo, e passou para o governo central. Agora, estamos em uma situação que temos de novo uma subida — avaliou Pastore.

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