Nova Lei das Estatais não teria efeito na Petrobras

RIO – A nova Lei de Estatais, sancionada na quinta-feira pelo presidente interino, Michel Temer, não impediria a nomeação de nenhum dos principais executivos da cúpula da Petrobras flagrados em desvios bilionários pela Operação Lava-Jato. Ex-diretores da estatal como Paulo Roberto Costa, Nestor Cerveró e Renato Duque, já condenados pela Justiça por desvios de milhões de reais em propina da estatal, eram funcionários de carreira e não tinham filiação a partidos ou atuação política.

A nova lei veta a nomeação, para os cargos de presidente ou diretor de estatais, de dirigentes partidários e de pessoas que atuaram em campanhas eleitorais. Se já vigorasse em 2003, quando Luiz Inácio Lula da Silva começava seu primeiro mandato na presidência da República, esses vetos não impediriam as indicações a cargos de primeiro escalão de nenhum dos ex-funcionários da Petrobras condenados por desvios descobertos pela Lava-Jato.

Já os ex-presidentes José Eduardo Dutra e Sérgio Gabrielli, ambos nomeados pelo ex-presidente Lula, teriam sido barrados por suas vinculações ao PT.

Os ex-diretores da estatal Paulo Roberto Costa e Cerveró explicaram, em delação premiada, que o “apadrinhamento” político era a regra para chegar ao topo da carreira na estatal.

“Se pode fazer uma comparação, é como o que ocorre nas Forças Armadas: por mais competente que seja o oficial, ele não ascende ao cargo de general sem a indicação pessoal”, comparou Costa aos investigadores.

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