Nippon Steel: governo brasileiro tem culpa por problemas na Usiminas

SÃO PAULO – Em carta enviada ao governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), o presidente da Nippon Steel & Sumitomo, Kosei Shindo, um dos sócios majoritários da Usiminas, afirma que a crise vivida pela siderúrgica não é apenas resultado do desentendimento entre seus sócios. Com fortes críticas, Shindo diz que “ações governamentais, que muitas vezes se mostram inadequadas do governo brasileiro, impactam grandemente a Usiminas”.

“Salientamos que a crise vivida pela Usiminas não é resultado somente do desentendimento dos acionistas controladores. A confusão política decorrente dos problemas de corrupção, o aumento dos preços e dos juros em decorrência da falha no controle da inflação, o complicado sistema tributário, a infraestrutura insuficiente e outros problemas de longa data em relação aos quais não temos visto melhoras por parte do governo brasileiro”, diz a carta com data do último dia 8 de março.

Os japoneses afirmam ainda, na carta, que a excessiva proteção ao trabalhador resulta em baixa competitividade e coloca todo o setor industrial em um ambiente de negócios muito desfavorável. Depois de demitir dois mil funcionárioas em Cubatão, após encerrar a produção de aço, a Usiminas colocou mais 1.300 funcionários da laminação em licença remunerada.

Nesta sexta, o Conselho Adminiustrativo da Usiminas se reúne para tentar encontrar uma solução para capitalizar a empresa. Os japoneses da Nippon Steel e os argentinos da Ternium, que há cerca de dois anos tornaram públicos seus desentendimentos sobre a condução da companhia, apresentaram propostas separadas de aumento de capital da companhia, com intenção de subscreverem ações até o limite de R$ 1 bilhão e R$ 500 milhões, respectivamente. A siderúrgica decidirá se aceita ou não as propostas na reunião desta tarde.

Na carta, o presidente da Nippon Steel diz que seu objetivo é evitar a falência da empresa, sendo essencial a ajuda dos bancos neste momentos. Mas, neste momento, lembra ele, as instituições financeiras exigem um aumento de capital como contrapartida para repactuação da dívida da Usiminas. A Nippon, diz seu presidente, está disposta a capitalizar a empresa em até R$ 1 bilhão e afirma que se compromete a colocar todo o capital sozinha para evitar um pedido de recuperação judicial da siderúrgica.

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