‘Não temos opção a não ser fazer o ajuste’, diz Mansueto de Almeida

SÃO PAULO – O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, disse nesta segunda-feira que os erros de política econômica cometidos no governo anterior atrapalham o ajuste fiscal atual, mas o Brasil não está condenado a ser uma país de baixo crescimento econômico. Almeida participa em São Paulo do seminário “Brasil: Desafios e Perspectivas”, que discute se o governo do presidente interino Michel Temer tem condições de recolocar o país nos trilhos da recuperação econômica.

— O Brasil não está condenado a ser um país de baixo crescimento econômico, como acontece nos últimos dois anos. A situação atual da economia, que se retrai há dois anos consecutivos, é resultado de uma série de erros de política econômica cometidos no governo anterior. Por isso, não temos opção a não ser fazer o ajuste para decidir o que o país quer ser no futuro — afirmou em sua palestra.

O secretário disse que dois anos de queda de Produto Interno Bruto (PIB) na magnitude de 3% só acontecem em países em guerra ou com grave crise bancária, o que não é o caso do Brasil. Entre os erros na gestão econômica cometidos pelo governo da presidente afastada Dilma Rousseff, que resultaram em recessão, estão o uso dos bancos públicos permanentemente para estimular o crédito.

— Estimular o crédito via bancos públicos foi uma medida acertada usada após a crise mundial de 2008, mas ela se tornou permanente. Ao mesmo tempo, o governo também ofereceu crédito subsidiado a empresas a determinados setores da economia, também via instituições públicas, sem que isso estivesse claro no Orçamento. Com isso, aconteceu o aumento da dívida pública — explicou.

Ele afirmou que os repasses do Tesouro aos bancos públicos subiu de R$ 14 bilhões (0,5 ponto percentual do PIB) em 2007 para R$ 550 bilhões em 2014 (10% do PIB). E, relatou o secretário, os bancos públicos emprestaram com juros subsidiados. Em alguns casos, citou ele, como nas linhas para compra de caminhões, os juros era de 2,5% ao ano, enquanto a inflação já estava em 6% ao ano. Com isso, a conta de equalização de juros (em que o Tesouro cobre o prejuízo das instituições públicas) subiu de R$ 10 bilhões ao ano, três anos atras, para R$ 30 bilhões.

CUSTO ELEVADO

— Essa decisão de estimular setores da economia foi exclusiva do governo e teve um custo elevado — afirmou.

Almeida lembrou que hoje a relação dívida pública/PIB no Brasil está em 66% enquanto a média de países emergentes é de 44%. Almeida citou ainda como erros o controle do preço da gasolina, que “subsidia os mais ricos” e as mudanças de regras de investimentos em alguns setores, especialmente infraestrutura.

— O partido que está no poder tem o direito de colocar em prática seu plano de governo, mas o tamanho da conta tem que ser mostrado à sociedade, o que não aconteceu — afirmou.

Almeida disse que no momento atual não existe a opção para a equipe econômica “de não se fazer nada”. Segundo ele, é preciso cortar gastos, fazer a reforma da previdência e limitar os crescimento da despesa do governo.

— Sem isso, teremos um aumento ainda mais expressivo da dívida pública e a volta da inflação — afirmou.

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