Montadoras de veículos vão focar na exportação, diz presidente da Anfavea

SAO PAULO – Sem a perspectiva de novas renúncias fiscais ou da facilitação de crédito ao consumidor para desovar os altos estoques de carros, as montadoras querem focar na exportação e trabalhar fortemente em favor da flexibilização das leis trabalhistas para recuperar os resultados no país. A informação é de Antonio Megale, novo presidente da Anfavea, associação que reúne as fabricantes de automóveis. Megale, que atua no setor há 36 anos, ficará no cargo até 2019 e assume o posto no lugar de Luiz Moan.

— Temos uma capacidade ociosa de 50%, é um número enorme. O mercado de exportações é uma excelente saída — disse, para completar:— Já exportamos cerca de 900 mil veículos por ano e atualmente estamos em cerca de 400 mil. É óbvio que podemos crescer.

Em seu primeiro encontro com jornalistas à frente da Anfavea, Megale disse que entre suas principais missões está a defesa da flexibilização das leis trabalhistas “para evitar um número ainda maior de demissões”. O número de trabalhadores na indústria automotiva brasileira caiu 17,4%, desde o fim de 2014 até o mês passado, para 128,5 mil.

Megale defendeu a adoção de novos programas para preservação do emprego, nos moldes do recente PPE (programa de proteção ao emprego que possibilita a redução da jornada e do salário):

— Sobre isso não temos nenhuma pauta com o governo. Estamos esperando a evolução do cenário político para entrarmos nesse assunto.

A respeito do aumento das exportações, segundo ele, a Anfavea está auxiliando o governo na negociação de novos acordos comerciais internacionais, além do fortalecimento dos que já existem. Ele também afirmou ter “certeza” de que haverá a renovação do atual acordo com a Argentina, que vence em junho.

Entre os países que o governo atua para acertar novos acordos estão Uruguai, Colômbia e Peru, segundo o presidente da Anfavea. Ele citou também conversas mais preliminares para exportação de veículos brasileiros para a África e Ásia. Na opinião de Megale, a atual situação política não atrapalha o andamento dessas negociações internacionais.

Ele se mostrou otimista quanto à melhoria do cenário econômico e do setor automotivo. Para ele, ambos começarão a viver uma recuperação no fim deste ano.

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