Marcos geodésicos: importantes, mas desconhecidos

RIO – Eles estão por toda a parte — são mais de 70 mil em todo o país —, mas estão longe de serem conhecidos do grande público. Os marcos geodésicos são pontos com informações precisas de latitude, longitude e altitude. Apesar de sua importância, o desconhecimento da população acaba provocando situações inusitadas, que vão desde o uso para decorar salas de estar de casas no interior do país até a simulação de um túmulo para evitar vandalismo.

Já houve quem se encantasse pela beleza da estrutura, conta o funcionário do IBGE Cesar da Costa Sampaio. Numa área rural, ele procurou por muito tempo o marco, sem sucesso. Até que um morador revelou, um pouco acanhado, que tinha levado a peça para a mulher ver. A moça, porém, gostou tanto da peça que resolveu usá-la como parte da decoração da casa. E o marido fez questão de se defender, esclarecendo ao funcionário do IBGE que não era “ladrão”.

Em geral formados por estruturas de concreto, são usados como referência para a construção de rodovias, ferrovias e barragens, demarcação de propriedades e para a elaboração de mapas. Juntos, formam o Sistema Geodésico Brasileiro, que é administrado pelo IBGE.

— Os marcos levam a inscrição “protegido por lei” e despertam muita curiosidade. São inúmeras as histórias de quem resolve mudar o local do marco para proteger melhor. Só que aí tudo fica perdido, porque ele sai de sua localização exata — explica Valéria Guimarães Carvalho, responsável pelos marcos no IBGE.

LOCALIZAÇÃO EM TEMPO REAL

No distrito de São Valério, no Paraná, o dono de uma propriedade rural simulou um túmulo com o marco, com flores e tudo. Ao tentar encontrar um marco na localidade, o funcionário do IBGE Delmo Carvalho descobriu que, além das flores, havia uma cerca de madeira construída em volta da estrutura. O antigo dono da área espalhou um boato de que ali havia um túmulo, para afastar curiosos e vândalos.

Mas quando Carvalho tentou voltar para registrar a cena, no entanto, o novo proprietário tinha desfeito o arranjo e pintado a pedra.

— Quando o marco é construído, o proprietário da área recebe uma carta explicando a importância de sua existência para evitar qualquer dano. Mas ainda tem quem construa casa em cima do ponto, o que impede qualquer acesso a ele e também prejudica sua função — afirma Valéria.

Há marcos em locais como igrejas, quartéis, beiras de estrada e praças. A construção de marcos geodésicos no Brasil começou nos anos 40, mas a maior parte da rede é dos anos 60 e 70. Atualmente, diz Valéria, só se aumenta a rede em regiões onde se considera haver pouca oferta. O estado do Amapá, por exemplo, tinha poucas unidades. Por isso, um projeto prevê a instalação de mais marcos lá.

O termo geodésico vem da palavra geodésia, ciência que estuda a forma, as dimensões, o campo de gravidade e a rotação da Terra. Assim, com sistemas de posicionamento por satélite, são construídos esses marcos, que, posteriormente, servirão como referência, já que é conhecida sua localização exata na superfície.

O Sistema Geodésico Brasileiro também é formado pela Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo, que reúne 123 marcos em dimensões maiores, com um GPS mais possante. Essas estruturas ficam geralmente dentro de universidades e instituições públicas, como a unidade do IBGE em Parada de Lucas, no Rio, e são capazes de transmitir informações de localização em tempo real, pela internet.

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