Lagarde diz que juros negativos ajudaram economia global

HANÓI – A economia mundial poderia estar pior sem os juros negativos, de acordo com a diretora gerente do FMI, Christine Lagarde. As taxas abaixo de zero na Europa e no Japão deram suporte ao crescimento global e ganhos de preços, disse ela em entrevista na cidade de Ho Chi Minh, no Vietnã. O setor financeiro poder precisar implementar novos modelos de negócio como resultado, ela disse.

—Se nós não tivéssemos juros negativos, nós estaríamos em um lugar muito pior hoje, com inflação provavelmente mais baixa do que onde ela está, com crescimento provavelmente mais baixo do que temos — afirmou Lagarde, em entrevista na cidade de Ho Chi Minh.

No último fim de semana, ela já tinha defendido essas políticas monetárias. Segundo Lagarde, juros negativos são uma nova ferramenta econômica justa e muito mais tempo é necessário para avaliar a medida.

Os bancos centrais na Europa e no Japão implementaram taxas de juros negativas para estimular a economia, e a presidente do Federal Reserve (BC dos Estados Unidos) afirmou que a autarquia estava avaliando a ferramenta “caso seja necessário acrescentar ajustes”. A ação monetária levantou preocupações de que poderia ter consequências não intencionais como prejuízos aos lucros bancários.

CRESCIMENTO DA CHINA

— Vejamos se será um pontapé inicial ao processo de estimular crédito na economia, mudando o padrão de comportamento das pessoas e mudando a estratégia dos bancos também — afirmou a diretora gerente. — Pode ser bom para a economia. Pode não ser para sempre, mas por um período de tempo.

Um ex-presidente do BC dos EUA, Ben S. Bernanke, afirmou em publicação na internet nesta sexta-feira que as taxas de juros negativas “parecem ter tanto benefícios modetos quanto custos gerenciáveis” e que a ansiedade do mercado com as taxas de financiamento abaixo de zero “parecem exageradas”. Enquanto as chances do Fed implementes juros negativo são baixas no futuro próximo, a entidade provavelmente analisará a opção mais à frente, disse Bernanke.

Separadamente, Lagarde afirmou que o FMI pode elevar a projeção de crescimento de 6,3% da China devido as reformas e estímulos do plano econômico do país. O dado pode ser aumentado “um pouco mais” após uma avaliação do pacote anunciado recentemente, afirmou ela.

— Acreditamos que a China continuará a crescer — disse Lagarde. — Se essas reformas forem implementadas e o estímulo anunciado também direcionado à alavancagem mais eficiente, que acreditamos que ser mais consumo do que necessariamente investimento que seria impulsionado pelo crédito, então a receita deve ser boa para a China conduzir um crescimento de qualidade contínuo.

O primeiro-ministro chinês Li Keqiang iniciou o Congresso anual do Partido Nacional anunciando que este ano a taxa de crescimento econômico seria entre 6,5% e 7%. Ele disse que em seu relatório de trabalho para a cerimônia legislativa tal ritmo “permitirá relativiamente o emprego pleno”.

Li também delineou planos para cortar a ineficiência industrial e evitar layoffs em massa enquanto atinge as taxas de crescimento pressionadas pelo crescimento da dívida e desaceleração da economia. Os níveis de dívida no plano aumentaram as preocupações entre analistas sobre a sustentabilidade do crescimento econômico da China.

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