Líder do governo diz não ser necessário mexer em reservas cambiais

BRASÍLIA – O líder do governo no Senado, Humberto Costa (PT-PE), afirmou nesta quarta-feira que não é necessário mexer nas reservas cambiais do país para fazer mudanças na economia. Ele disse não acreditar que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha aceitado ser ministro-chefe da Casa Civil com essa pretensão.

– Essa é uma questão muito do debate entre os economistas, seria uma decisão política séria. Não creio que o presidente esteja entrando com essa pretensão de convencer a presidenta Dilma a utilizar as nossas reservas. Acredito que é possível fazer algumas mudanças sem que se faça isso, na medida em que isso é uma grande garantia que a gente tem – afirmou Costa.

Costa afirmou que Lula sempre governou com “responsabilidade fiscal” e que “não vai haver afrouxamento das medidas econômicas”. Disse ser objetivo estimular a economia e ampliar o crédito sem alterar os pilares da política econômica.

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), por sua vez, acredita que parte das reservas, que hoje estão em US$ 370 milhões, deveriam ser usadas para reduzir a dívida bruta do país e, assim, melhorar o cenário fiscal.

– Temos 25% do PIB em reservas fiscais, o que tem um grande impacto fiscal. Então você pode usar para diminuir a dívida bruta e fazer com que os outros indicadores melhorem. Está sendo muito caro manter isso – defendeu.

Lindbergh afirmou que o governo de Lula entre 2003 e 2010 teve a “melhor administração macroeconômica da histórica”, ressaltando a redução da dívida. O petista disse acreditar que Henrique Meirelles deve acompanhar Lula na entrada do governo, mas não confirmou rumores de que isso ocorreria em substituição a Alexandre Tombini, que teria colocado à disposição seu cargo de presidente do Banco Central.

Os dois petistas rebateram os argumentos da oposição de que a indicação de Lula teria como um dos objetivos tirar das mãos do juiz Sérgio Moro os processos que ele responde da Operação Lava-Jato. Costa destacou que a oposição aplaudiu o Supremo durante o julgamento do mensalão e Lindbergh afirmou que a independência daquela Corte não pode ser contestada.l

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