Investidores pedem cautela à Deutsche Boerse em oferta pela Bolsa de Londres

LONDRES – Alguns dos maiores acionistas da Deutsche Boerse estão alertando à gerência a não pagar a mais pela Bolsa de Londres (London Stock Exchange Group, LSE) se uma contraoferta aparecer, segundo fontes do setor.

A Intercontinental Exchange está analisando fazer uma oferta pela LSE, que na semana passada concordou em fechar uma transação com a Deutsche Boerse, com sede em Frankfurt. A bolsa alemã ficaria com 54% da empresa com sede em Londres que quer formar com a LSE. A transação inteiramente em ações com a Deutsche Boerse avalia as ações da LSE em 8,9 bilhões de libras (US$ 12,6 bilhões), segundo dados compilados pela Bloomberg.

Alguns dos principais acionistas da Deutsche Boerse aceitam a lógica de se juntar à LSE para criar a maior operadora de câmbio da Europa, mas estão preocupados de que os órgãos reguladores não aprovem a transação, segundo fontes do setor que pediram anonimato porque as negociações são privadas. Enquanto isso, alguns dos principais acionistas da LSE querem que a Deutsche Boerse ofereça mais, disseram fontes do setor na semana passada.

— É natural que todos os acionistas, em particular os investidores institucionais, que têm uma responsabilidade fiduciária perante seus investidores, tentem obter o melhor preço — disse Thomas Caldwell, CEO da Caldwell Securities, empresa de administração de recursos em Toronto.

Porta-vozes da Deutsche Boerse e da LSE não quiseram comentar.

MELHOR OFERTA

O desafio enfrentado pelo CEO da Deutsche Boerse, Carsten Kengeter, que administraria a empresa fusionada, é atingir um equilíbrio entre as exigências de acionistas da LSE, que querem mais dinheiro, e dar uma impressão de prudência aos próprios investidores. As ações da LSE fecharam na terça-feira a 28,60 libras esterlinas, 12% superior ao valor da atual oferta da Deutsche Boerse, o que reflete o otimismo de que haverá uma oferta melhor.

Os investidores já derrubaram ofertas no passado. A Deutsche Boerse tentou comprar uma versão menor da Bolsa de Londres em 2005, porém retirou a oferta depois que acionistas liderados por hedge funds se opuseram ao plano.

A atual oferta da Deutsche Boerse é financiada exclusivamente com ações, o que mitiga os problemas com sua classificação de crédito. Em uma guerra de ofertas, a capacidade de Kengeter de melhorar a proposta com dívida teria que ser avaliada segundo seu desejo de manter uma classificação de crédito mais alta. A Deutsche Boerse tem classificação “AA” da Standard & Poor’s, mas um rebaixamento está sendo considerado.

No mês passado, Kengeter disse que “as reservas para a aquisição estão um pouco debilitadas”. A bolsa gastou 725 milhões de euros (US$ 811 milhões) na compra de uma plataforma de trading de moedas chamada 360T e € 660 milhões na empresa de índices Stoxx no ano passado. No dia 9 de março, a Deutsche Boerse concordou em vender sua bolsa de opções nos EUA por US$ 1,1 bilhão em dinheiro.

MERCADOS DE CAPITAIS

O CEO da Intercontinental Exchange, Jeff Sprecher, disse na semana passada que, como empresa de capital aberto, ele pode levantar capital. A empresa dele é dona da Bolsa de Nova York e de várias bolsas de futuros.

— Temos acesso a capitais e a expectativa de nossos investidores e clientes de continuarmos evoluindo e crescendo e utilizarmos esses mercados de capitais — disse ele em uma conferência do setor.

A aprovação dos órgãos reguladores também preocupa os investidores porque essas discussões poderiam acarretar meses de incerteza, com o potencial de criar um declínio para os preços das ações das empresas. Se as autoridades bloquearem o acordo, elas criarão uma incerteza estratégica quanto à forma em que as companhias procederiam. O CEO da LSE, Xavier Rolet, se demitirá se a empresa se fusionar com a Deutsche Boerse, fato que levanta perguntas em relação à continuidade da liderança se a transação fracassar.

A operadora alemã de bolsas fracassou em tentativas de aquisição em 2000 e 2005. A tentativa da Deutsche Boerse de comprar a NYSE Euronext foi rejeitada pela Comissão Europeia em 2012. Reto Francioni, chefe da empresa com sede em Frankfurt na época, descreveu o momento como um “dia negro para a Europa”.

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