Inflação de abril em Buenos Aires é a mais alta em 14 anos, a 6,5%

BUENOS AIRES – A Direção Geral de Estatísticas e Censos da cidade de Buenos Aires divulgou nesta quinta-feira o índice de preços ao consumidor referente ao mês de abril, que registrou variação de 6,5% frente a março, pouco abaixo da estimativa de consultorias do mercado. O dado é o mais alto desde o pico inflacionário em 2002, quando a Argentina enfrentava a pior crise socioeconômica de sua história. No acumulado em 12 meses, a alta é de 40,5%. Em março, o resultado foi de 3,3%.

O índice, medido pela prefeitura de Buenos Aires, tornou-se uma referência nacional devido ao fato de que, até junho, o governo de Mauricio Macri não divulgará a medição da inflação nacional já que executa uma reorganização do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec, órgão estatístico oficial), após questionamentos sobre a metodologia usada pela gestão anterior dos Kirchner.

A inflação, que segundo esta medição acumula 20% no ano, se acelerou em abril a partir de fortes elevações, entre 100% e 300%, nas tarifas de energia elétrica, gás, água, transporte público e combustíveis adotadas pelo governo como parte do ajuste da economia para corrigir distorções do modelo anterior.

Em abril, uma família de quatro integrantes precisou de 3.424 (US$ 236) para cobrir o custo da cesta básica, que determina a linha de pobreza, segundo a consultora FIEL, que projetou para o mês uma inflação de 7,6%. Estima-se que, desde dezembro, há 1,4 milhão a mais de pobres e 350 mil novos indigentes, de acordo com o Observatório da Dívida Social Argentina, dependente da Universidade Católica Argentina.

— A boa notícia é que, quando um limpa o efeito residual do aumento tarifário, o resto dos produtos vai desacelerando. Para maio, estimamos uma inflação de 3%”, projeta Luciano Cohan, economista-chefe da consultoria Elypsis.

Ainda que tenha um nível de aprovação de mais de 50%, Macri sabe que a inflação descontrolada prejudica sua credibilidade. Diferentemente do governo anterior, o atual governo optou como estratégia frear o consumo à espera de que no segundo semestre deste ano cheguem os investimentos prometidos após o acordo da dívida com credores estrangeiros para engatar a economia.

Segundo a agência de classificação de risco Moody’s, “os resultados positivos do novo enfoque das políticas de governo não se evidenciarão até o começo do próximo ano”.

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