Incerteza sobre impeachment e Petrobras fazem Bolsa cair 3,60%

SÃO PAULO – Os investidores estão mais cautelosos em relação ao processo de impeachment de Dilma Rousseff, temendo que a oposição não consiga os votos suficientes para o impedimento da presidente. Com essa incerteza, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrava, às 15h04, queda de 3,60%, aos 48.743 pontos. Já o dólar comercial avançava 1,37%, cotado a R$ 3,609 para compra e a R$ 3,611 para venda, valorização de 1,37% ante o real – na máxima a divisa chegou a R$ 3,614.

— A questão política voltou a pesar. Há uma volatilidade devido a essa indefinição em relação ao impeachment. O mercado pode estar ficando um pouco mais conservador novamente. Não há nada que sustente a Bolsa nos patamares que foram alcançados nas últimas semanas — afirmou Ricardo Zeno, sócio da AZ Investimentos, lembrando que no final de março o Ibovespa passou dos 51 mil pontos, apesar dos fracos indicadores econômicos.

A queda da Bolsa é puxada pelo desempenho das ações da Petrobras. No final de semana, o colunista d’O GLOGO, Lauro Jardim, informou que os preços dos combustíveis seriam reduzidos nesta segunda-feira. O Conselho de Administração da estatal reagiu a essa possibilidade. De qualquer forma, a notícia não agradou investidores, o que faz com que os preços dos papéis da petrolífera despenquem. Os preferenciais (PNs, sem direito a voto) recuam 8,49%, cotados a R$ 7,65, e os ordinários (ONs, com direito a voto) têm desvalorização de 7,50%, a R$ 9,74.

A queda é mais intensa do que a registrada pelo petróleo no mercado externo. O recuo é de 1,55% no barril do tipo Brent, cotado a US$ 38,07.

Para Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, a espera de novidades no campo político, os investidores aproveitam para embolsar os ganhos dos últimos pregões. Essa realização de lucros acaba atingindo de forma mais intensa os papéis de maior liquidez.

O setor bancário, que tem peso importante na composição do Ibovespa, também está no vermelho. As ações preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco recua, respectivamente, 2,89% e 3,55%. No Banco do Brasil a queda é de 5,20%.

No exterior, os indicadores europeus operam em alta e, nos Estados Unidos, em terreno negativo. O DAX, de Frankfurt, fechou em alta de 0,28%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, registrou variação positiva de 0,53%. O FTSE 100, de Londres, teve alta de 0,30%. Nos Estados Unidos, Dow Jones tem desvalorização de 0,30%, e o Nasdaq está perto da estabilidade, com pequena queda de 0,26%.

DÓLAR VOLTA AOS R$ 3,60

A alta do dólar ocorre mesmo sem o Banco Central (BC) ter vendido a integralidade dos contratos de swap cambial reverso (que equivalem a uma compra de moeda no mercado futuro). Foram vendidos 8,140 mil dos 14,1 mil contratos ofertados no leilão desta manhã. Mas embora não tenha conseguido vender todo o lote, a autoridade monetária tem reduzido a rolagem (renovação) dos swaps tradicionais, o que também exerce uma pressão sobre a moeda.

Na avaliação de Figueredo, da Clear, há uma cautela por parte dos investidores devido ao ambiente político. Sem grandes novidades no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, as compras de moeda acabam prevalecendo. De forma geral, os agentes dos mercados financeiros são favoráveis a uma mudança no governo.

— O mercado opera com cautela, esperando novidades ao longo do pregão. Nesta segunda-feira, o governo faz a sua defesa. Lá fora, também não há nenhuma notícia que possa mudar essa tendência — afirmou.

Além das discussões em relação à defesa da presidente Dilma, os investidores também estão atentos à possibilidade do vice-presidente Michel Temer sofrer processo similar. Nesta segunda-feira ocorre a última das dez sessões da comissão de impeachment.

Já no mercado externo, a moeda americana está perto da estabilidade, com pequena variação negativa de 0,18%, segundo o “dollar index”, calculado pela Bloomberg.

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