IIF estima recessão de até 4,5% neste ano no Brasil

WASHINGTON – Em um relatório denominado “tsunami político”, o Instituto de Finanças Internacionais (IIF, na sigla em inglês) publicou nesta terça-feira um estudo que estima que a recessão no Brasil neste ano pode se intensificar e ficar entre 4% e 4,5%, ou seja, mais aguda que a queda de 3,8% na produção econômica de 2015. Segundo o estudo da instituição, que reúne cerca de 400 dos principais bancos e empresas de investimentos e de seguros de 70 países, “o Brasil é uma das nações mais vulneráveis do planeta”.

Assinado por Ramón Aracena, Economista-Chefe do IIF para a América Latina, o documento lista todos os passos da Lava-Jato, incluindo a delação de Delcídio do Amaral e a operação de sexta-feira que resultou no depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, detalha os próximos passos do processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff — que, segundo eles, pode ocorrer entre abril ou maio — e os riscos do TSE determinar a realização de novas eleições.

“Dois anos consecutivos de recessão seriam o pior desempenho do Brasil desde a depressão de 1930. A crise econômica prolongada pesa fortemente sobre os lucros das empresas, o balanço dos bancos e o mercado de trabalho. Empresas estão sob maior estresse financeiro e, provavelmente, deveremos ver um aumento dos casos de falência. Embora venham de posições financeiras robustas, os bancos do setor privado estão sob pressão, enquanto os bancos públicos podem precisar de recapitalização”, afirma o relatório.

O estudo afirma que a dívida pública em relação ao PIB está 14 pontos percenruais maior do que no ano passado e que isso é decorrente do elevado déficit do setor público. A renegociação das dívidas dos estados com a União deve piorar o cenário, ao mesmo tempo em que os investidores fogem e novos rebaixamentos do raiting do Brasil parecem prováveis, segundo o documento.

“O aumento da polarização política e o crescimento do desemprego estão elevando as tensões sociais, o que poderia forçar uma mudança política rápida”, conclui Aracena.

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