IBGE: quase um século de história

São poucas as instituições brasileiras que, como o IBGE, podem ostentar não somente quase um século de história, mas também a capacidade de se atualizar continuamente e resistir à tendência, tão comum na administração pública, de se contaminar pelo clientelismo ou pela politização. Não é que não tenha havido problemas e percalços, mas, em dia de aniversário, mais vale falar das virtudes, que não faltam.

A primeira, sem dúvida, é a credibilidade, reconhecida dentro e fora do país: ninguém duvida da validade de seus dados, usados por governos, empresas, meios de comunicação, pesquisadores e organizações internacionais; a segunda é a transparência, ao colocar todas suas informações para acesso imediato na internet, tanto textos e tabelas como em microdados de uso público, para pesquisadores e analistas; a terceira é a agilidade, construída pela incorporação constante de novas tecnologias, apesar das frequentes dificuldades financeiras, e que permitiu que o Censo demográfico de 2010 fosse processado e divulgado em tempo recorde, e que esteja agora divulgando trimestralmente a nova pesquisa contínua de domicílios e emprego, de cobertura nacional.

Aniversário é também ocasião de expressar desejos, e menciono dois que precisam ocorrer para que o instituto possa continuar festejando a passagem dos anos. Primeiro, uma renovação mais profunda de seu formato organizacional. O IBGE ainda mantém uma estrutura antiga de repartição pública, com agências locais e unidades regionais criadas quando instituto precisava estar presente em todo o país.

Hoje, ele precisaria de uma estrutura mais leve, com ênfase em uma equipe menor de alta qualidade e o uso intensivo das modernas tecnologias de que já dispõe. Segundo, uma garantia formal de autonomia. O IBGE não pode continuar sendo uma simples repartição dentro de um ministério, precisa ter um presidente e Conselho Administrativo com mandatos definidos, e autonomia para decidir o que pesquisar e publicar, conforme as diretrizes gerais do governo, mas sem interferências. É a garantia de que o país precisa, e o instituto merece.

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