Governo estuda usar compulsório para expandir crédito, diz Barbosa

SÃO PAULO – O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, disse ontem em São Paulo que o governo estuda mexer no depósito compulsório, dinheiro que os bancos recolhem ao Banco Central sem remuneração, para oferecer mais crédito a empresas que sofrem com falta de capital de giro. Ele afirmou que o Ministério da Fazenda conversa com o Banco Central (BC) sobre medidas nesse sentido.

— Não é uma decisão formada. Mas há várias ideias de como se dar assistência de liquidez via compulsório (bancário). Mas tem de ser feito com muito cuidado. Simplesmente baixar o compulsório não garante que esses recursos vão chegar na ponta — afirmou.

Barbosa participou da 4ª edição do Fórum Brasil, realizado pela revista “Carta Capital”. O ministro destacou que o governo também vem trabalhando para normalizar a oferta de crédito nos setores imobiliário e agrícola. Ele citou os recursos liberados pelo Conselho Curador do FGTS para a compra da casa própria, via Caixa Econômica Federal. O banco ampliou o limite de financiamento de imóveis usados para até 80% do valor.

MAIS R$ 80 BILHÕES EM CRÉDITO

O ministro também afirmou que, com as diversas medidas que o governo vem tomando desde janeiro, será possível ampliar a oferta de crédito em até R$ 80 bilhões este ano, sem usar novos recursos do Tesouro.

— Com a economia em retração, há uma restrição de liquidez e as empresas precisam de crédito para ajustar despesas a um novo patamar de receitas. Por isso colocamos mais de R$ 80 bilhões em linhas para este fim — explicou o ministro.

Para Nelson Barbosa, a inflação em março e abril deve recuar em relação aos mesmos meses do ano passado, já que não haverá reajuste de energia. E diz que ainda não se tem certeza de quando a economia volta a crescer, mas, na sua avaliação, isso pode acontecer no segundo semestre deste ano.

— Nossa obrigação é continuar propondo medidas de curto e longo prazo para melhorar a economia, mesmo num ambiente conturbado — acrescentou.

Barbosa alertou que os problemas econômicos não vão desaparecer “num passe de mágica”, com medidas econômicas extremadas. Ele disse, por exemplo, que os problemas da previdência ou tributários, que estão entre as reformas a serem feitas no longo prazo, são pontos extremamente complexos, que envolvem vários aspectos.

— Precisamos trazer de volta o controle da inflação e do emprego, já que, sem isso, fica difícil fazer as outras reformas. É preciso trazer de volta a previsibilidade para as pessoas tomarem decisões de consumo, e as empresas, de investimento. Não podemos ser totalmente pessimistas nem otimistas complacentes — disse.

POLÍTICA E ECONOMIA

O ministro elogiou a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao governo.

— Contamos agora com a participação do ex-presidente Lula, que é um exímio negociador em vários aspectos e vai nos ajudar a construir soluções política a econômicas. O potencial do Brasil continua o mesmo — afirmou.

Segundo o ministro, a recuperação da economia ajudará na melhora da situação política, e a incerteza política também atrasa a recuperação econômica.

— Estamos num momento conturbado e basta ver as manifestações no dia a dia. A melhora da situação econômica ajudará a situação política, mas isso é uma via de mão dupla. A incerteza política também atrasa a recuperação da economia. Está na hora de a política ajudar a economia. As duas andam juntas e não tem solução independente — disse Barbosa.

O ministro pediu civilidade no debate público:

— É preciso ALter diálogo. Se todo mundo grita, ninguém ouve e não se vai a lugar nenhum.

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