Governo central registra pior resultado em 20 anos

BRASÍLIA – Depois de um mês de alívio, as contas públicas voltaram a ficar no vermelho. O governo central (composto por Tesouro Nacional, Previdência Social e Banco Central) registrou déficit primário de R$ 15,5 bilhões em maio. Esse foi o pior o resultado observado para o mês desde o início da série histórica do Tesouro, iniciada em 1997.

No acumulado do ano, o rombo do governo central chega a R$ 23,8 bilhões. Ele também é o número mais baixo dos últimos 20 anos e o primeiro déficit registrado num período entre janeiro e maio.

Em 12 meses, o resultado das contas é um déficit primário de R$ 151,5 bilhões, ou 2,42% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país). Ele já está bem próximo da meta fiscal fixada pelo governo para o ano, de R$ 170,5 bilhões.

Segundo relatório divulgado pelo Tesouro Nacional nesta terça-feira, a receita líquida do governo central somou R$ 76,278 bilhões em maio, o que representa uma queda real de 9,9% em relação a 2015. A despesa também caiu, mas num ritmo muito mais lento. O total dos gastos no mês foi de R$ 91,771 bilhões, com redução de 1,8% sobre o ano passado.

De acordo com o Tesouro, parte da queda na arrecadação de maio de 2016 se explica pelo fato de o governo ter recebido outorgas dos setores de aeroportos e telecomunicações em 2015, o que não se repetiu esse ano. Com isso, houve uma queda de R$ 2,7 bilhões nas receitas com concessões e permissões.

ACUMULADO DO ANO

No acumulado do ano, a receita líquida atingiu R$ 462,867 bilhões – o que representa uma queda real de 5% sobre 2015. Já a despesa total ficou em R$ 486,721 bilhões, subindo 1,4% na mesma comparação. Segundo o Tesouro, houve aumento nos desembolsos com subsídios e subvenções (R$ 6,9 bilhões) por conta do pagamento das pedaladas fiscais e também com abono e seguro desemprego (R$ 6 bilhões) devido ao calendário de pagamento desses benefícios.

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