Goldman Sachs eleva previsão para preço do petróleo no curto prazo

NOVA YORK – O banco americano Goldman Sachs, uma das instituições creditícias que tem se mostrado mais pessimista com relação ao mercado petroleiro, elevou sua estimativa para o preço do petróleo no curto prazo em função da estabilização no mercado. Devido a recentes cortes mais profundos na produção global, a expectativa do entidade é que o barril do petróleo tipo Brent (referência internacional) esteja a US$ 50 no segundo semestre de 2016. Já o tipo WTI (mais comercializado nos EUA), a US$ 45.

As cotações de petróleo chegaram a subir mais de 1% nesta segunda-feira depois que o banco divulgar um relatório que afirma que o mercado da commodity voltou ao patamar de déficit um trimestre antes do esperado, devido a interrupções no abastecimento global e aumento da demanda, o que encerra um período de quase dois anos de excesso de oferta.

“O equilíbrio físico do mercado petroleiro finalmente começou”, afirmam os analistas Damien Courvalin e Jeffrey Currie, do Goldman Sachs, no relatório. “O mercado provavelmente mudou para um déficit em maio”.

Os mercados petroleiros se beneficiaram de recentes suspensões de fornecimento na Nigéria e uma baixa na produção de mais de 1 milhão de barris por dia no Canadá devido a incêndios florestais na região de Alberta.

— Há muitas interrupções por aí e, como resultado, a produção de petróleo cai — aponta Michael Wittner, chefe de pesquisa do setor petroleiro do Société Générale, em Nova York. — A Nigéria é a maior (suspensão) no momento. Também há interrupções na Líbia, Venezuela e em vários outros lugares.

O Goldman Sachs, cujas previsões são seguidas por uma série de fundos hedge, reiterou que os preços do barril poderiam retorna ao patamar dos US$ 20 para voltar a estabilizar o mercado. O banco elevou em 200 mil barris por dia sua previsão para o crescimento da demanda global de petróleo, a 1,4 milhões de barris, antecipando uma maior demanda da Ásia, principalmente da China. A instituição projeta um declínio mais gradual nos estoques durante a segunda metade do ano.

Na semana passada, o Goldman Sachs afirmou que a chave para uma recuperação sustentável nos preços do petróleo seria um declínio estável na produção dos países de fora da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Em um cenário base, a instituição vê um déficit no terceiro trimestre do ano, período até o qual os preços seriam negociados em torno dos níveis atuais.

O banco reduziu sua previsão para o preço do petróleo WTI em 2017 a US$ 52,50, ante projeção anterior de US$ 57,50 por barril, e prevê que os mercados retornem a registrar um superávit no primeiro trimestre de 2017.

O mercado “parece pronto para um caminho de reequilíbrio mais rápido do que o esperado anteriormente”, tornando improvável o risco de uma queda acentuada nos preços, afirmam os analistas Miswan Mahesh e Kevin Norrish, do banco inglês Barclays.

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