Goldman acerta acordo de US$ 5,1 bilhões por danos na crise dos subprimes

NOVA YORK – O Goldman Sachs fechou um acordo para pagar US$ 5,1 bilhões a entes federais e estaduais para compensar os danos causados pela crise dos subprimes. O banco é o último dos gigantes do setor financeiro a chegar a uma solução com o grupo de trabalho nacional criado em 2012 para investigar como Wall Street exarcerbou a bolha do mercado de hipotecas, epicentro da crise financeira global de 2008.

Em janeiro, o banco já havia informado que havia separado US$ 5 bilhões para cobrir um acordo. O montante pago pelo Goldman Sachs seré menor que o de outras instituições financeiras importantes como JP Morgan e Bank of America, que já haviam quitado compensações de US$ 13,3 bilhões e US$ 16,6 bilhões, respectivamente. No entanto, o valor é superior ao que o principal rival do banco, o Morgan Stanley, que pegou US$ 3,2 bilhões.

“Estamos satisfeitos em deixar esse legado de questões para trás. Desde a crise financeira, tomamos medidas significantes para fortalecer nossa cultura, reforçar nosso comprometimento com os clientes e garantir que nossos processo de governança são robustos”, afirmou Michael DuVally, porta-voz do Goldman em nota.

Segundo o “New York Times”, outros bancos estrangeiros ainda estão sob investigação, como o Royal Bank of Scotland e o Deutsche Bank.

Conforme outros casos da crise do subprime, as autoridades americanas não citaram nomes de agentes do Goldman. O grupo de trabalho tem sido criticado, inclusive, por não punir banqueiros individualmente. No entanto, documentos legais divulgados nesta segunda-feira, mostram detalhes de operações do Goldman que levaram à crise financeira e sua consciência dos significantes problemas no mercado hipotecário.

Como outros bancos, o Goldman comprou empréstimos que haviam sido emitidos por especialistas em hipotecas de alto risco, como o Countrywide Financial. O banco, então, teria embalado tais créditos em títulos que foram capazes de obter a mais alta nota das agências de classificação de risco. Os empréstimos foram vendidos a investidores, que enfrentaram perdas quando os créditos azedaram.

Durante o ano de 2006, os funcionários do Goldman relataram o declínio da qualidade dos empréstimos que eram adquiridos, segundo declaração divulgada junto ao acordo. Quando um analista externo escreveu um relatório positivo sobre o Countrywide Financial em abril daquele ano, o chefe de diligência do Goldman escreveu em e-mail: “Se apenas eles soubessem”.

Apesar dos sinais de preocupação, o banco não alertou os compradores sobre o risco em torno dos títulos, disseram as autoridades nesta segunda-feira.

“Esta resolução torna o Goldman Sachs responsável por séria má-conduta ao falsamente assegurar investidores que os papéis que eram vendidos tinham respaldo de hipotecas sólidas, quando sabia-se que eram inteiramente hipotecas propensas a falhar”, indicou o chefe da divisão cível do Departamento de Justiça dos EUA, Benjamin Mizer, na declaração.

DIVISÃO DO VALOR

O acordo é dividido em uma penalidade cível de US$ 2,4 bilhões, US$ 1,8 bilhão por alívio ao consumior e US$ 875 milhões em dinheiro.

Os pagamentos em dinheiro serão divididos entre integrantes do grupo de trabalho que negociaram o acordo, incluindo, a Administração Nacional de Crédito, o grupo dos bancos federais de empréstimo e os estados da Califórnia, Illinois e Nova York.

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