Gestora da massa falida da Mabe e trabalhadores tentam acordo

SÃO PAULO — A gestora da massa falida da Mabe (fabricante das marcas Dako e Continental), trabalhadores e credores se reuniram na tarde desta sexta-feira para tentar chegar a um acordo entre as partes. O encontro ocorreu no Fórum de Hortolândia, interior de São Paulo. Sem recursos em caixa, a administradora judicial se comprometeu, em troca da saída dos trabalhadores que ocupam a fábrica de Campinas desde a falência, em fevereiro, dar início à baixa das carteiras, organizar comissões de debate e pagar os débitos o mais rápido possível. O Sindicato votará a proposta em assembleia na segunda-feira.

Os metalúrgicos, que alegam não receber salários desde dezembro, ocuparam as duas fábricas da empresa, que era administrada por três companhias mexicanas, uma em Hortolândia e outra em Campinas. No último domingo, a PM desocupou a unidade. A administradora da massa falida garante que tudo ocorreu de forma pacífica. O Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas, no entanto, cita que a PM usou um helicóptero e 80 homens para retirar os trabalhadores de forma truculenta.

Durante a semana, representantes do Sindicato afirmaram temer a ocorrência de uma “tragédia” caso houvesse a desocupação da fábrica de Campinas. Os trabalhadores acampados, cercaram a unidade fabril de pneus, cobriram de óleo e ameaçam colocar fogo caso a PM se aproxime. Depois dos contornos violentos, a Justiça interveio e marcou a audiência de conciliação de hoje.

Segundo nota da administradora da massa falida, “existe uma preocupação de ambas as partes com relação à invasão da propriedade de Campinas, que tomou proporções de difícil controle, até mesmo por parte do sindicato”. Eles também concordam sobre a “necessidade de agilizar o pagamento dos trabalhadores e credores”.

Mas administradora admite não haver “previsão para deferimento dos pedidos (…) de acesso a valores de depósitos fiduciários realizados pela falida”. Juntos, esses depósitos somariam o equivalente a cerca de R$ 100 milhões. Acrescentou ainda, durante a reunião, que um depósito de R$ 14 milhões foi liberado pela Justiça e “deve estar à disposição da massa falida na próxima semana”.

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