Gastos dos brasileiros em viagens internacionais caíram 62%

BRASÍLIA – Com a escalada da crise econômica, a alta do desemprego e, principalmente, a alta da moeda americana, os brasileiros cortaram do orçamento as viagens ao exterior. Segundo os dados do Banco Central, os gastos com turismo para fora do país caíram nada menos que 62%. Em janeiro do ano passado, os gastos dos viajante foram de US$ 2,2 bilhões lá fora. No mês passado, as famílias tiveram um despesa muito menor: US$ 840 milhões. Desde de 2009 — no auge da grande turbulência financeira internacional — o brasileiro não gastava tão pouco.

— O impacto na conta de viagens internacionais chama atenção. Tem a questão do câmbio e também a atividade econômica, que tem efeitos sobre a renda — explicou o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel.

Ele adiantou que os dados de fevereiro devem repetir o quadro. Nos 19 primeiros dias deste mês, o turista daqui gastou apenas US$ 612 milhões no exterior.

ESTRANGEIROS DEIXARAM US$ 650 MILHÕES

Caro para o brasileiro, mas baratos para os gringos. As receitas com o turismo aumentaram 14% no mês passado. Como o Brasil ficou mais barato para os viajantes de fora, eles deixaram US$ 650 milhões aqui em janeiro: o melhor desempenho dos últimos três anos.

A alta da moeda americana não influencia apenas as viagens, mas todas as contas externas do país. O dólar mais caro faz com que as empresas importem menos e exportem mais.

Todo esse processo tem diminuído o rombo, que chegou a US$ 104 bilhões em 2014, US$ 58,9 bilhões no ano passado e deve encerrar o ano abaixo dos US$ 41 bilhões. Essa era a estimativa do Banco Central no fim do ano passado, mas deve ser revista.

— A projeção está se mostrando conservadora. Ela será revisada no mês que vem —informou Maciel, quando lembrou que o BC atualiza suas previsões no fim de cada trimestre.

Os dados de janeiro reforçam que a expectativa para as contas externas foi superestimada. Segundo o Banco Central, o déficit de todas as trocas de serviços e do comércio do país com o resto do mundo foi de US$ 4,8 bilhões: queda de 60% em janeiro na comparação com o mesmo mês do ano passado. É o menor déficit para o mês desde 2009, quando o BC mudou a metodologia e passou a registrar os dados de uma nova forma. No fim do mês passado, a aposta era que o rombo seria de US$ 6,7 bilhões.

De acordo com Maciel, os técnicos do BC trabalham para retroagir a série de dados com nova metodologia até 1947, quando começaram os primeiros registros do balanço de pagamentos. A expectativa é que na divulgação dos resultados de fevereiro, essa seja a nova base de comparação.

Apesar da recessão brasileira, o país continuou a receber investimentos do exterior. Afinal, o país está barato para os estrangeiros. Em janeiro, ingressaram no Brasil US$ 5,5 bilhões. É praticamente o mesmo valor recebido no ano passado.

— O investimento no país responde a médio longo prazo. Somos um país com mercado robusto. Nesse contexto, é uma oportunidade a médio e longo prazo — comentou Maciel.

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