França deve introduzir reforma que facilita demissões, diz ‘WSJ’

PARIS – O governo do presidente francês, François Hollande, planeja implementar, até o fim deste mês, uma reforma trabalhista que cria regras mais claras e simples demitir funcionários, de acordo com o jornal “The Wall Street Journal”. Se por um lado a medida tem tudo para agradar às empresas, ela gerou descontentamento dentro do Partido Socialista, ao qual pertence o presidente.

“Você não pode recrutar quando as coisas estão indo bem se você não pode dispensá-las quando as coisas estão indo mal”, disse ao “WSJ” Jean-Marc Rieger, diretor executivo da Chimirec, uma empresa de gestão de resíduos industriais.

O objetivo com a reforma, diz o jornal, é afrouxar as políticas regulatórias apontadas por economistas, chefes de empresas e até por funcionários de outros países europeus como um fator que limita o crescimento da França.

Entre as mudanças que devem ser introduzidas estão também um teto para os valores que empregados podem pedir na Justiça após a demissão, mais flexibilidade na negociação de um pagamento menor das horas extras e até formas de contornar a jornada de trabalho de 35 horas semanais.

PARA CONTER CRÍTICAS

De acordo com o jornal americano, organizações estudantis e sindicatos estão se juntando para convocar atos a partir desta quarta-feira.

Dentro do Partido Socialista, as medidas não são bem vistas pela ala mais à esquerda. No fim de fevereiro, um texto assinado por Martine Aubry e outros membros do partido e publicado no jornal francês “Le Monde” afirma que “não é mais simplesmente uma questão do fracasso do mandato presidencial de cinco anos, mas a preparação para um enfraquecimento duradouro da França e, claro, da esquerda”.

A forma encontrada pelo presidente para tentar conter as críticas foi consultar sindicatos e políticos da esquerda procurando saber como tornar essas mudanças mais aceitáveis para os socialistas, afirmou o “Wall Street Journal”.

O jornal diz, ainda, que o rascunho da lei mostra que ela foi pensada para conter os temores de empregadores. Atualmente, receosas em contratar funcionários com vários benefícios, é comum que as empresas optem por contratos temporários. Só que isso traz ainda outros problemas: além de criar um fluxo constante de pessoas buscando empregos, este tipo de contrato torna mais difícil a tarefa dos trabalhadores que tentam conseguir um empréstimo ou alugar um imóvel.

A França não é o primeiro país a fazer reformas do tipo. Como o “WSJ” ressalta, Espanha, Itália e Alemanha já afrouxaram a legislação trabalhista na tentativa de tornar suas economias mais competitivas.

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