FMI: incertezas do Brexit são maiores riscos para a economia mundial

WASHINGTON – O Fundo Monetário Internacional (FMI) afirmou na manhã desta quinta-feira que “o maior risco para a economia mundial são as incertezas” da decisão do Reino Unido de sair da União Europeia, decidida por plebiscito há uma semana. Gerry Rice, diretor de comunicação do FMI, afirmou em sua entrevista quinzenal, em Washington, que a entidade está revisando suas perspectivas de crescimento econômico global, que deve ser conhecido nas próximas semanas.

— O aumento das incertezas tem a ver com as condições futuras do Reino Unido e da União Europeia e com quanto tempo será necessário para definir estas condições, qual será o impacto nos negócios e em outros atores econômicos. Essa é a razão pela qual temos encorajado o Reino Unido e a União Europeia a trabalhar de maneira muito próxima para ter uma transação fluída e previsível — disse Rice. — Só se passaram alguns dias (da decisão do Brexit). Esperamos que todos façam todo o possível para mitigar a situação, ainda é impossível prever o que ocorrerá no Reino Unido e no seu acesso ao mercado único (europeu).

Rice disse que o FMI vai fazer a atualização das perspectivas para a economia mundial, com revisões “à luz do que ocorreu”, e que só será possível avaliar com clareza a situação “nas próximas semanas”. Ele lembrou que um acordo rápido entre Reino Unido e União Europeia, desde que feito de forma prudente, seria ótimo, mas que, por outro lado, apressar as negociações para se chegar a um acordo qualquer, que pode ser negativo, não interessa a ninguém.

— A saída do Reino Unido da União Europeia pode criar grande incerteza. Acreditamos que isso vai frear o crescimento no curto prazo, especialmente no Reino Unido, e terá repercussões negativas na Europa e na economia mundial. Um período prolongado de incertezas pode gerar a contração da confiança dos consumidores e das empresas, o que significaria que o crescimento poderia baixar muito, e as autoridades do Reino Unido e da União Europeia têm de desempenhar um papel para diminuir as incertezas neste período (de negociações) — disse.

O diretor comentou ainda que o FMI apoia as medidas que os grandes bancos centrais do mundo — Banco da Inglaterra, Banco Central Europeu, Fed (EUA) e o Banco do Japão — que decidiram proporcionar liquidez e frear a volatilidade excessiva no campo financeiro.

— Os movimentos do mercado imediatamente após a decisão do anúncio foram profundos, mas não foram excessivamente desordenados — disse.

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