FI-FGTS deve reconhecer perda de R$ 1,7 bilhão

BRASÍLIA – O FI-FGTS — fundo criado pelo governo para investir em infraestrutura com recursos dos trabalhadores — deverá reconhecer prejuízo de R$ 1,7 bilhão no resultado de 2015. Do total, R$ 1 bilhão se refere a investimentos na Sete Brasil Participações e R$ 700 milhões na Energimp. O assunto será discutido pelo comitê gestor do FI na próxima quarta-feira.

Os valores fechados do provisionamento serão conhecidos em maio, quando será divulgado o balanço do FI-FGTS. As duas empresas estão com sérias dificuldades financeiras, com poucas chances de recuperação.

Criada com empenho do governo federal para contratar sondas para a Petrobras, a Sete Brasil também foi flagrada no escândalo de corrupção investigado na Operação Lava-Jato. A Energimp é uma geradora eólica, localizada no Ceará, e faz parte do grupo Impsa, que entrou em recuperação judicial na Argentina.

RENTABILIDADE ABAIXO DE 5%

Segundo fontes ligadas ao FI-FGTS, assim como os demais investidores na Sete Brasil, o fundo de investimentos será obrigado a reconhecer a perda. Já começou a fazer isso em 2014, quando deu baixa de R$ 374 milhões investidos na empresa.

No caso da Energimp, o FI-FGTS tem duas alternativas: ou reconhece o prejuízo de R$ 700 milhões ou aporta mais R$ 1 bilhão para colocar a empresa de pé e tentar posteriormente vender a participação no mercado. Essa solução, no entanto, dificilmente será adotada, porque o FI teria que assumir a gestão da empresa.

Com as baixas, a rentabilidade do FI-FGTS deve ficar abaixo de 5%, a menor desde a sua criação em 2007. Em 2008, ano da crise financeira internacional, a rendimento médio da carteira ficou em 5,01%. Em 2009 foi de 6,66%. Em 2010, de 5,51%. No ano seguinte, o rendimento aumentou para 7,63%. Em 2012, foi de 7,22%. Em 2013 seu melhor rendimento, de 8,22%. Em 2014, o percentual foi de 7,05%.

A crise na economia também vai afetar o desempenho do Fundo em 2015.

Por lei, o FI-FGTS deve perseguir uma rentabilidade média de 6% ao ano, mais a Taxa Referencial (TR) e não poderá ficar abaixo do rendimento da conta vinculada ao FGTS, que é de 3% ao ano, mais a TR. Os recursos aplicados pelo fundo vêm de parte do lucro do FGTS (aplicados anteriormente em títulos públicos). O fundo foi criado no bojo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como uma alternativa de funding para o setor de infraestrutura (rodovias, portos, ferrovias, energia) e de melhorar as receitas do FGTS.

CAIXA: AJUSTE NÃO É PERMANENTE

Procurada, a Caixa Econômica Federal, gestora do FI-FGTS, informou em nota que, pela característica do investimento em projeto de infraestrutura, o retorno é de longo prazo.

“Assim, embora investimentos realizados há mais tempo já estejam em uma fase próxima à maturação, outros ativos mais recentes, ainda em estágio iniciais de implantação, também encontram-se na carteira do Fundo, impactando em sua rentabilidade, especialmente nesta fase inicial onde apresentam altos investimentos (…) Neste sentido, estas variações podem vir a implicar ajustes adicionais aos já observados durante o ano de 2015 e refletidos até o momento na cota do FI-FGTS. Por fim, deve se ressaltar que tais ajustes não são permanentes e podem ser recuperados com a mudança de premissas que hoje afetam ou podem afetar a precificação destes ativos”, diz a nota da Caixa.

Segundo interlocutores, os investimentos na Sete Brasil e na Energimp são hoje os principais problemas do FI-FGTS. Mesmo as aplicações em empresas ligadas à Lava-Jato, como Odebrecht Transport (do grupo Odebrecht) e CCR (concessionária de rodovia, dos grupos Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa) estão dando o retorno esperado.

“Destacamos que até o momento o FI-FGTS apresenta retorno contábil anual, não auditado, de 6,8% e acumulado (2008 a 2015) de 68,74%, o que supera o seu benchmark de TR+6% no período, bem como representa mais de 200% da remuneração do FGTS neste período. Além disso, do valor investido, já retornaram ao Fundo como pagamento de amortizações, juros e dividendos e regastes, mais de R$ 11,9 bilhões, aproximadamente 50% do valor efetivamente desembolsado pelo seu cotista”, conclui a nota da Caixa.

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