Em pregão de correção, Bolsa fecha em alta de 1,12% e dólar cai a R$ 3,587

SÃO PAULO – Apesar da forte volatilidade, os mercados no Brasil aproveitaram a ausência de notícias negativas para um movimento de recuperação das perdas do pregão anterior. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,12%, aos 49.012 pontos. Já a moeda americana acompanhou o movimento global da divisa e fechou em queda de 0,74%, cotada a R$ 3,585 na compra e a R$ 3,587 na venda, após atingir a máxima de R$ 3,638.

A Bolsa se firmou em terreno positivo no meio da tarde, se recuperando da queda de 1,01% de ontem. Ari Santos, gerente de renda variável da H.Commcor, lembra que essa correção é natural após um movimento de queda mais acentuado e que não pode ser encarado como uma tendência de alta.

— Os investidores fazem uma correção e acabam comprando. Ontem os bancos caíram muito, então hoje estão com bom desempenho. Mas ainda assim, no caso do Bradesco, nem chega a recuperar a desvalorização do pregão anterior — disse.

Na terça-feira, as preferenciais do Bradesco fecharam em queda de 5%, após a Polícia Federal (PF) fazer o indiciamento do presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco, e mais dois diretores da instituições. Nesta quarta-feira, esses papéis fecharam em alta de 1,84%. No caso do Itaú Unibanco, que também fechou em queda ontem, a valorização foi de 1,51%. O setor bancário é o que tem o maior peso na composição do Ibovespa.

Já as ações da Petrobras também terminaram o pregão com ganhos. A melhora ocorreu após o novo presidente da estatal, Pedro Parente, afirmar que não haverá interferência política no preço do combustível. Embora essa sinalização já tenha sido dada pela diretoria exterior, os investidores aproveitaram para comprar o papel. As preferenciais (PNs, sem direito a voto) subiram 1,74%, cotadas a R$ 8,18, e as ordinárias tiveram elevação de 2,25%, a R$ 10,41. No exterior, o barril do tipo Brent estava praticamente estável, com pequena queda de 0,02% (US$ 49,88), próximo ao horário de fechamento dos mercados no Brasil.

No caso da Vale, as preferenciais subiram 0,88% e as ordinárias avançaram 1,47%, tirando proveito da recuperação do mercado local. A elevação ocorreu apesar da queda do preço no minério de ferro na China, que caiu 3,49%, a US$ 48,40 a tonelada.

O Ibovespa vai na contramão do mercado externo. O DAX, de Frankfurt, fechou em queda de 0,57% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, recuou 0,67%. Já o FTSE 100, de Londres, registrou desvalorização 0,62%. Nos Estados Unidos, os índices estão perto da estabilidade. O Dow Jones tem pequena variação negativa de 0,02% e o S&P 500 tem pequena alta de 0,03%.

DÓLAR VOLTA A CAIR

O dólar chegou a atingir a máxima de R$ 3,638, mas perdeu força, principalmente após a divulgação do Livro Bege nos Estados Unidos, que é uma compilação de diversos indicadores econômicos. Os dados indicaram expansão, mas de forma modesta.

Esse recuo ocorre mesmo com a melhora da atividade industrial americana. Pela manhã, foi divulgado que o índice ISM (Instituto for Supply Management) subiu para 51,3 pontos ante 50,8 pontos no mês anterior, indicando um movimento de expansão da economia. Desde o início do mês os analistas aumentam a aposta em uma nova alta de juros nos Estados Unidos no curto prazo, o que tendem a prejudicar moedas de países emergentes. No entanto, após a divulgação desse dado, o desempenho dessas divisas apresentou uma melhora.

— O ISM veio mais forte que o esperado. Esse é o indicador mais importante da expectativa da indústria nos Estados Unidos. Mas ainda assim as moedas de emergentes apresentaram uma melhora e o real seguiu esse movimento — disse Bernard Gonin, analista da Rio Gestão de Investimentos.

No exterior, o “dollar index” tinha queda de 0,53% ante uma cesta de dez moedas. O índice é calculado pela Bloomberg.

Os investidores repercutem ainda a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre desse ano. A contração foi de 0,3% ante os três meses imediatamente anteriores. Apesar da queda, o resultado veio melhor que o esperado, que era uma queda de 0,8%.

— O resultado foi melhor que o esperado ,mas ainda é um dado ruim. Esse dado está sendo neutro para os negócios. O cenário para frente é de risco político e uma atenção às medidas econômica — afirmou Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

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