Economista dá dicas de como fazer seu dinheiro render no supermercado

RIO – Com a confiança em baixa, os consumidores estão focando mais nos preços das etiquetas do que na marca dos produtos e buscando alternativas para manter todos os itens no carrinho de compras, segundo pesquisa divulgada pela consultoria Nielsen. Como 62% dos brasileiros acreditam que o país ainda estará em uma recessão pelo menos até o fim de 2016, de acordo com o levantamento, O GLOBO pediu dicas a um especialista sobre como economizar na hora de fazer as compras e não deixar a conta pesar demais no bolso.

A confiança do consumidor brasileiro caiu de 88 para 76 pontos em 2015, ficando abaixo dos 83 pontos da América Latina e da média mundial, que foi de 97 pontos. Esse cenário faz o consumidor ficar mais cauteloso e evitar se endividar, comportamento observado principalmente entre os consumidores da classe C, que foram os que mais reduziram seus gastos em autosserviços, setor que engloba o varejo.

— O consumidor brasileiro está optando por reduzir o volume de compras, ou seja, cortar itens de sua lista — diz, em nota, Paula Valadão, analista de mercado da Nielsen.

Quando o objetivo é economizar, muita gente fica na dúvida se vale a pena fazer a compra para o mês ou se é melhor consumir aos poucos e aproveitar promoções durante a semana. Roberto Kanter, economista e professor dos MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), acha que a inflação ainda não é tão alta para que os consumidores antecipem compras:

— Vale a pena fazer um pequeno estoque se o consumidor encontrar uma promoção. Mas tem que ficar atento com os produtos perecíveis, porque, se eles estragarem, a economia não faz sentido. Ovo, por exemplo, é um alimento que não estraga muito rápido e pode ser interessante comprar o suficiente para um consumo de duas semanas se estiver mais barato.

Kanter ressalta que as compras devem ser feitas de acordo com o fluxo de recebimento do salário e que o consumidor deve tomar muito cuidado para não se endividar, porque os juros são muito mais altos do que a inflação:

— É preciso ficar atento para não entrar no cheque especial ou pagar as compras à vista e depois não ter dinheiro para pagar o cartão.

Quem recebe uma parte do salário no começo do mês e outra na segunda quinzena também pode dividir as compras de acordo com essas datas. Já os que têm família grande ou conseguem juntar mais pessoas devem procurar os “atacarejos”, que oferecem, como o nome já diz, produtos em varejo que, se comprados em grande quantidade, saem por preço de atacado. Assim, a economia é maior.

Para os que moram sozinhos, têm família pequena ou preferem ir ao supermercado com mais frequência, um dica é ficar de olho nos feirões de hortifruti que costumam acontecer às terças ou quartas-feiras e nas promoções de início do mês que algumas redes de varejo fazem, ensina o professor.

A empresária Cristiane Gelmini, de 41 anos, teve que ficar mais tempo em frente à prateleira do óleo de cozinha comparando preços, porque a marca que costuma comprar em outra loja estava mais cara. Como além da casa, onde mora com o marido, Cristiane ainda cuida do abastecimento de seu bistrô, ela costuma ir bastante ao supermercado e sentiu no bolso a variação de preços.

— Às vezes, levo uma quantidade de dinheiro achando que vai dar para comprar o que eu preciso, mas acabo não conseguindo comprar tudo.

Quando compra os alimentos para o bistrô, ela diz que não pode abrir mão de certas marcas para a qualidade dos produtos não cair, mas tenta economizar no que pode, como a farinha de trigo.

— Os produtos de limpeza eu também não mudo porque acho que a qualidade cai bastante conforme o preços — diz.

Segundo o professor da FGV, o consumidor que quiser gastar menos deve comparar os preços entre as redes e anotar quanto pagou nos produtos essenciais para ter uma base de comparação.

Quem já segue essa dica é a musicista Voila Marques, de 52 anos. Assim como Cristiane, ela não varia muito as marcas de produtos de limpeza, mas o arroz e o iogurte que vão para o carrinho são sempre os mais baratos.

— O preço do sabão em pó, por exemplo, eu faço na calculadora para saber o que compensa mais, de acordo com a quantidade que vem na embalagem. Mas só faço isso entre as marcas que são mais famosas — conta.

Em casa, Voila diminuiu a oferta de supérfluos para os filhos, como cereais, geleias, achocolatados e sucos. Ela prefere fazer compra para o mês e, quando vai ao supermercado, aproveita as promoções:

— Dependendo do produto, eu compro um pouco a mais quando está em promoção. O azeite, por exemplo, estava com um preço mais convidativo e, em vez de um, acabei comprando dois.

Algumas redes de supermercado também oferecem aos consumidores marcas próprias que, na maioria dos casos, oferecem preços mais competitivos frente a outras já consolidadas. Fabio Queiroz, presidente da Associação dos Supermercados do Estado do Rio de Janeiro (Asserj), explica que uma das estratégias do segmento para lidar com a queda no faturamento é diversificar os produtos disponíveis nas gôndulas. A ideia é apresentar mais opções para os consumidores, em vez de apostar apenas em marcas líderes, intermediárias e de preço de entrada. O executivo destaca ainda o incentivo ao uso de produtos de marca própria, que, segundo ele, são até 40% mais baratos.

— São ações para dar mais opção ao consumidor. E a recomendação é que o consumidor pesquise bastante os preços, porque o número de promoções deve aumentar — explica Queiroz.

(Colaborou Marcello Correa)

*Estagiário, sob a supervisão de Ana Perrone

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