Donos de títulos da Gol rejeitam proposta de renegociação de dívida

RIO – Dois dias após a Gol anunciar um programa de reestruturação de sua dívida, parte dos donos dos títulos (bonds ou notas) emitidos pela companhia aérea no exterior recusou a proposta feita pela empresa, que incluia a troca dos títulos antigos, no valor de US$ 780 milhões, por novos títulos e com redução de até 70% de seu valor de face. Segundo o grupo, a oferta é “desprovida de informações financeiras e operacionais suficientes sobre a Gol, inclusive no que diz respeito a negociações com outros interessados importantes”. A dívida total da Gol é R$ 17 bilhões.

O grupo dono dos títulos é composto por diversas instituições financeiras com investimentos na América Latina e detém aproximadamente 25% do saldo de todos os bonds da Gol que somam cerca de US$ 325 milhões. “O grupo de detentores de notas rejeita a proposta de oferta de substituição das notas apresentada por GOL em 3 de maio e urge aos demais detentores de notas que também rejeitem a Proposta de Oferta de Substituição”, disse a White & Case, que presta assessoria aos investidores, em comunicado ao mercado no fim da noite de quinta-feira.

Do outro lado, a Gol informou hoje à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que pode alterar o valor da proposta. No comunicado, a Gol, em nota assinada pelo seu vice-presidente Financeiro, Edmar Lopes, diz acreditar ” firmemente que esta é uma oferta boa e justa, e a melhor que a Gol pode prover”. ” Esperamos que os detentores de bônus compreendam que é do interesse deles trocar esses papéis. Os parâmetros foram firmados pela Companhia, e nós podemos alterá-los se as circunstâncias exigirem”, destacou Lopes.

– Os investidores não querem essa proposta. Agora, a guerra começa para valer. Eles querem obrigar a Gol a sentar na mesa e melhorar a proposta. A recusa já era esperada pelo mercado – disse uma fonte que não quis se identificar.

Segundo a White & Case, o grupo dos donos dos títulos foi formado para trabalhar em conjunto com a Gol para “compreender e tratar das questões enfrentadas pela Gol diante dos atuais desafios econômicos do Brasil”. O grupo ainda se ofereceu, diz o comunicado, para auxiliar a Gol em explorar alternativas para fortalecer a posição da companhia como uma das principiais companhias aéreas do Brasil. Porém, a companhia “rejeitou repetidas solicitações do grupo para iniciar discussões”. Em nota, esse grupo diz lamentar a apresentação da proposta feita pela Gol “sem o apoio ou contribuição de nenhum representante de detentores de notas”.

O grupo informa ainda que ” se mantém aberto para iniciar discussões construtivas a fim de tratar da situação da Gol”. O grupo de investidores pede que as conversas contem com “transparência e total acesso a informações, tratamento igualitário de credores de natureza similar; e observância da ordem de prioridade dos participantes na estrutura de capital da Gol”. O comunicado da White & Case diz ainda que, “na ausência de qualquer aproximação por parte da Gol, o grupo de detentores de notas espera que a Gol honre as suas obrigações referentes às notas em aberto”.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), as ações da Gol estão em queda de 2,22%. Em Nova York, os títulos (ADRs) caem 2,36%.

O que a Gol já fez

Em meados do ano passado, os acionistas da Gol injetaram US$ 150 milhões, dos quais US$ 100 milhões vieram do grupo controlador (com 63% das ações) e US$ 50 milhões da Delta Airlines, que tem 9,5% das ações. A companhia americana ainda deu garantias para que a Gol obtivesse um empréstimo de US$ 300 milhões nos EUA. Nesse ano, a Gol negociou com a Boeing, que concordou em flexibilizar o cronograma de entrega de aeronaves, renegociando os contratos de arrendamento. As iniciativas combinadas permitiram uma economia de R$ 520 milhões e um fluxo de caixa positivo de R$ 550 milhões.

Ao mesmo tempo, a Gol renegociou com o Banco do Brasil e o Bradesco uma extensão dos prazos de amortizações de R$ 1 bilhão em debêntures. Os dois bancos ainda disponibilizaram mais de R$300 milhões em linhas de crédito e em cartas de crédito. Em paralelo, a Gol fez um acordo com sua subsidiária, a Smiles, de antecipação do pagamento de passagens, obtidas através do programa de milhagem.

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