Divórcio entre grupos Nippon e Techint na Usiminas pode ocorrer em um ano

SÃO PAULO – O fim da conturbada relação entre os grupos Nippon Steel e Techint na Usiminas pode ocorrer dentro de um ano, com os sócios já discutindo a divisão das plantas da maior produtora de aços planos do país, afirmou uma fonte próxima do assunto.

Na separação da Usiminas, a Nippon ficaria com a usina de Ipatinga, que tem capacidade para cerca de quatro milhões de toneladas de aço por ano, e a Techint ficaria com a unidade de Cubatão, que possui capacidade semelhante mas teve a produção da liga totalmente paralisada no início deste ano.

“A Nippon já chegou à conclusão de que é preciso haver um divórcio”, disse a fonte. “Isso tem que acontecer em um ano, não há mais clima de convívio ou confiança”.

Segundo a fonte, a divisão da Usiminas seria uma solução em que ambos os grupos, que estão em conflito há meses em torno da gestão da companhia, poderiam sair como “ganhadores”.

A Techint entrou no grupo de controle da siderúrgica brasileira no início de 2012 depois de ter acertado a compra da participação no final de 2011 aceitando pagar um preço que embutia um ágio de mais de 80% aos valores da época.

Se ficar com a unidade em Cubatão, a Techint ainda terá acesso ao porto da unidade e também ao laminador concluído em 2012 e que recebeu investimentos de R$ 2,5 bilhões.

Enquanto isso, a Nippon considera a Usiminas como estratégica para atender clientes na América do Sul além de ter investido na companhia desde o início de sua criação, no fim da década de 1950, e se comprometido recentemente a injetar até R$ 1 bilhão até o final deste semestre em uma capitalização da empresa que atravessa sérias dificuldades financeiras.

Procurada, a Nippon Steel no Brasil não comentou o assunto. O grupo japonês afirmou que “os esforços da companhia estão voltados a permitir que a Usiminas tenha condições de suportar o atual momento do mercado”.

Em meados de fevereiro, uma fonte afirmou à Reuters que a Nippon Steel seguia interessada em comprar a participação do grupo Techint na Usiminas se a sócia eventualmente decidisse sair do negócio.

Representantes da Techint não puderam comentar o assunto de imediato.

Analistas do Itaú BBA afirmaram em nota a clientes que acreditam que a divisão da Usiminas em duas partes é “uma solução provável… e seria positiva para a Techint já que encerraria o conflito (com a Nippon) e reduziria o risco de novos aumentos de capital na Usiminas”.

Além disso, segundo os analistas, para a Usiminas a separação das usinas seria positiva pois solucionaria o conflito societário e poderia levar a alguma injeção de capital por meio da venda da usina de Cubatão à Techint.

O caixa da Usiminas tinha se reduzido nesta semana a um valor de R$ 100 milhões a R$ 200 milhões, afirmou a fonte, e se a empresa não tivesse conseguido um acordo com os bancos credores da empresa para suspensão de obrigações financeiras por 120 dias, a empresa ficaria sem recursos para tocar suas operações a partir de abril.

O acordo com os bancos só foi possível após a aprovação pelo Conselho de Administração da empresa, na semana passada, de aumento de capital de R$ 1 bilhão.

Segundo a fonte, a capitalização garantiria a entrada, ainda neste ano, de mais R$ 600 milhões vindos do caixa da Mineração Usiminas, mineradora dividida entre a Usiminas e a japonesa Sumitomo Corporation.

Além destes recursos, a companhia poderá contar ainda com cerca de mais R$ 400 milhões advindos da venda de ativos que incluem o edifício sede em Minas Gerais e a empresa de bens de capital Usiminas Mecânica.

“Estes recursos devem dar para pelo menos dois anos”, disse a fonte, acrescentando que paralelamente a Usiminas já iniciou processo de renegociação das dívidas envolvendo prazo de carência e amortização.

A Usiminas encerrou o quarto trimestre com prejuízo de R$ 1,6 bilhão e deve ter outro resultado fraco no início deste ano diante dos impactos da reestruturação em que se viu forçada a parar a produção de aço em Cubatão e a demitir cerca de dois mil funcionários diretos da unidade.

Porém, segundo a fonte, os resultados da companhia devem melhorar a partir do terceiro trimestre como resultado dos esforços de ajuste de sua capacidade à demanda por aço do mercado brasileiro, que segue em queda livre.

No primeiro bimestre, as vendas de laminados planos no Brasil, principal mercado da Usiminas, despencaram 24% sobre o mesmo período do ano passado, para 1,4 milhão de toneladas, segundo dados do Instituto Aço Brasil (IABr).

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