Deutsche Bank e Credit Suisse podem precisar de capitalização, diz Barclays

LONDRES – O Deutsche Bank e o Credit Suisse podem ter de levantar mais capital em função da necessidade de resolver queixas nos Estados Unidos sobre venda de títulos garantidos por hipotecas antes da crise financeira, afirmou o Barclays ao rebaixar os dois bancos. A instituição alemã pode ter de pagar até US$ 4,5 bilhões, e a suíça, US$ 2 bilhões, escreveram os analistas do banco britânico no relatório publicado nesta quinta-feira

Os bancos estão “bem abaixo” de suas metas de capital próprio em comparação com o total de seus ativos ponderados pelo risco e “enfrentam dificuldades para construi-las”.

“O medo de investidores de capital é que os acordo judiciais possam aumentar a probabilidade de ações de levantamento de capital”, diz o banco.

Os analistas também cortaram as metas de preço para as ações das duas instituições financeiras.

O Credit Suisse e o Deutsche Bank buscam impulsionar os níveis de capital e rentabilidade pela venda ou retirada de negócios, encolhendo suas unidades de títulos e cortando postos de trabalho. Um aumento de capital seria difícil diante do “declínio estrutural” do setor financeiro, segundo o analista James Chappell, do banco de investimento Berenberg.

O Deutsche Bank já resguardou € 5,4 bilhões (US$ 6,1 bilhões) por possíveis custos de litígio no fim de março. Já o Credit Suisse separou 1,7 bilhão de francos suíços (US$ 1,8 bilhão).

O Deutsche Bank angariou € 21,7 bilhões em três levantamentos de capital desde a crise financeira global. O diretor executivo da instituição, John Cryan, sinalizou em maio que dará continuidade aos planos do banco de revisão interna sem perturbar investidores. O Credit Suisse, que já recorreu a acionistas para cerca de 6 bilhões de francos no ano passado, planeja aumentar o nível capital pela venda parcial de sua unidade suíça em 2017.

ACORDOS EM WALL STREET

Em abril, o banco americano Goldman Sachs fechou acordo para pagar US$ 5,1 bilhões para resolver ações judiciais que acusavam o banco de falhar em vetar corretamente títulos lastreados em hipotecas antes de vendê-los a investidores como dívida de alta qualidade. Foi a quinto acordo bilionário alcançado com instituições financeiras como resultado do esforço do governo americano em responsabilizar empresas de Wall Street pelo envolvimento com a venda de títulos hipotecários que levou à crise financeira de 2008.

Os bancos JP Morgan Chase (US$ 12 bilhões), Bank of America (US$ 16,7 bilhões), Citibank (US$ 7 bilhões) e o Morgan Stanley (US$ 3,2 bilhões) também firmaram acordos para solucionar pendências no caso.

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