Demissões na Oi buscam manter rentabilidade

RIO – A demissão de dois mil funcionários da Oi em curso esta semana, antecipada ontem pelo colunista do GLOBO Lauro Jardim, tem mais efeito para reforçar junto ao mercado o empenho da companhia em sua meta de cortar custos e reduzir o endividamento bilionário do que para uma melhora direta no caixa, dizem especialistas. Em nota, a empresa não cita o número de cortes, mas afirma que o objetivo é “manter níveis de rentabilidade e produtividade para fazer frente ao cenário macroeconômico atual”. A operadora deve apresentar em breve sua proposta de renegociação de dívida. Ontem, na Bovespa, as ações ordinárias da Oi subiram 1,25%, a R$ 0,81.

— As demissões são mais uma atitude para demonstrar compromisso com a virada do que algo que tenha efeito prático. A Oi demorou demais para fazer um plano de reestruturação de dívida. A companhia continua gerando resultado negativo, e a solução só virá se o negócio apresentar viabilidade — avalia Adeodato Volpi Netto, da Eleven Financial Research.

Dois dias antes de divulgar os resultados do primeiro trimestre, a Oi iniciou a demissão de 12% de sua força de trabalho, com a estimativa de reduzir de 15% a 20% os gastos com a folha de pagamento. A estimativa da Eleven é que as perdas da tele sejam cerca de 10% maiores do que o prejuízo de R$ 4,5 bilhões no quarto trimestre. A companhia fechou 2015 com dívida bruta de R$ 54,98 bilhões, e 70% estão nas mãos de estrangeiros.

Entre as propostas em discussão para equacionar a dívida há a possibilidade de conversão de débitos em ações, em caixa ou em nova dívida. Os títulos poderiam ser renegociados com deságio de 70% a 80% do valor de face, segundo fontes próximas à negociação. É o que a Oi vem tratando em acordo com a Moelis & Company, assessoria de um grupo de detentores de títulos emitidos pela companhia e afiliadas.

BANDA LARGA FIXA

Em março, as três agências de classificação de risco — Moody’s, Fitch e Standard & Poor’s (S&P) — rebaixaram a nota de crédito da Oi. No mês passado, a S&P anunciou nova redução do rating para CCC-, o que indica risco de inadimplência. A meta da Oi é concluir a renegociação da dívida até o fim do ano. Fontes de mercado afirmam que o governo vem acompanhando cada passo da tele em suas negociações com credores.

— O problema da situação da Oi é a banda larga fixa. Em muitas cidades menores, ela é praticamente a única provedora do serviço. E a crise traz para a companhia uma redução no nível de investimento. Isso tem consequências do ponto de vista da qualidade dos serviços — diz Eduardo Tude, diretor da consultoria Teleco.

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