Default de papéis 'junk' será o maior desde 2009 este ano, diz Moody's

NOVA YORK – Os defaults globais de títulos ‘junk’ chegarão ao nívem mais alto desde 2009 este ano, apontou a agência de classificação de risco Moody’s nesta quarta-feira. O aumento será o efeito que queda prolongada nos preços das commodities causa nos lucros e nos balanços das empresas.

A agência projeta que a taxa de default de grau especulativo (ou seja, sem o ‘selo’ de bom pagador, que garante a capacidade de honrar obrigações) aumentará 4% este ano, ante 3,5% em 2015. Estima-se que o índice de calote para todas os emissores corporativos classificados pela Moody’subirá 2,1%, máxima no período pós-crise financeira de 2008, frente a 1,7% no ano passado.

“Os preços baixos persistentes das commodities, a desaceleração da expansão econômica e a ampliação de spreads de alto rendimento deixarão as taxas mais altas em 2016”, afimrou a analista de crédito da Moody’s, Sharon Ou, em relatório de 29 de fevereiro.

A qualidade reduzida do crédito, “combinada com o aumento acentuado de calotes e crescente preocupação de investidores, indicam que o cíclo de crédito está virando”.

PIORES DESEMPENHOS

Os setores de mineração e metalurgia tiveram o maior índice de default em 2015, a 6,5%, seguido do petróleo e gás, a 6,3%, segundo a Moody’s. Tal resultado se deve à queda da qualidade do crédito na segunda metade de 2015. A fraqueza persiste este ano, com o rebaixamento de crédito nos EUA ultrapassando as elevações de notas de empresas na proporção de quatro para um — a pior desde 2009, de acordo com dados da Bloomberg.

Os preços das commodities chegaram perto de cair aos níveis mais baixos em 25 anos, segundo o Índice de Commodities da Bloomberg, em meio à redução da demanda por petróleo, metais e minerais como reflexo da desaceleração da economia chinesa.

Os custos globais de empréstimos se aproximam do maior nível em quatro anos ao passo que a dívida caiu 1,1% até agora este ano, após recuar 2,1% em 2015, segundo o Bank of America. Empresas americanas do setor energético têm se saído até pior, com custos de crédito muito elevados e investidores em débito perdendo 12% este ano, após prejuízo de 24% no ano passado.

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