Decisão do Fed faz dólar cair 0,66%, a R$ 3,739

SÃO PAULO – A ida do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para a Casa Civil do governo Dilma Rousseff colocou os mercados financeiros em compasso de espera nesta quarta-feira. No entanto, a melhora do ambiente externo provocada pela manutenção dos juros americanos, permitiu uma recuperação nos mercados internos. O dólar comercial fechou em queda de 0,66% ante o real, cotado a R$ 3,7370 na compra e a R$ 3,7390 na venda. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa|) subia 1,28%, aos 47.733 pontos, nos ajustes finais do pregão.

O dólar atingiu a sua máxima pela manhã ao ser cotado a R$ 3,854, ainda antes da confirmação de Lula como ministro, que ocorreu por volta das 11h40. A partir de então, a divisa passou a perder força, mas só entrou em terreno negativo após a manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o bc americano) e a sinalização de que o processo de normalização monetária nos Estados Unidos se dará de forma gradual. No entanto, Hideaki Iha, operador da Fair Corretora, lembra que a perspectiva para a moeda é de alta, principalmente devido a avaliação de que a política econômica irá deixar de priorizar a austeridade fiscal.

Os rumores de que o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, poderia deixar o cargo e ser substituído por Henrique Meirelles também foram minimizados, assim como sua ida ao Ministério da Fazenda. Em entrevista ao colunista Lauro Jardim, Meirelles negou ter recebido qualquer convite. Em entrevista coletiva, a presidente Dilma também negou mudanças na equipe econômica e reforçou que não usará as reservas internacionais para outro fim que não seja o de proteção cambial.

— Não acredito que um nome como o de Henrique Meirelles aceite a voltar para o governo. Esse governo vai adotar medidas imediatistas e populistas. Acho que esse alívio no dólar é mais uma questão de fluxo e da melhor nos mercados externos. A partir de agora, a moeda deve evoluir de acordo com as notícias — disse,

Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, lembra que desde a terça-feira os agentes do mercado financeiro já tinham colocado no preço dos ativos brasileiros a alta possibilidade de Lula aceitar o convite de Dilma – no pregão anterior, o dólar subiu 3,07% e a Bolsa caiu 3,56%.

— O mercado respondeu mal a essa notícia, mas não renovou as mínimas. Desde ontem isso já era esperado. Agora, o mais importante é saber qual a política econômica que será adotada. , além de outros desdobramentos políticos, como o apoio ou não do PMDB e um processo de impeachment. Ainda há muita incerteza — disse.

Antes dessa confirmação, o dólar chegou a atingir a máxima de R$ 3,854, alta de 2,39%, e a mínima do Ibovespa foi uma queda de 1,29%.

Samar Maziad, vice-presidente e analista sênior da agência de classificação de risco Moody’s, afirma que a troca ministerial aponta para uma mudança nas prioridades do governo no sentido de conveniência política às custas da continuação da consolidação fiscal.

“O cenário da Moody’s já incorpora a possibilidade de que eventos políticos podem complicar a perspectiva de crédito do país em linha com a nossa decisão de rebaixar o rating do Brasil para Ba2 com perspectiva negativa”, afirmou Samar.

Em escala global, o dólar perdeu força após o comitê de política monetária (Fomc, na sigla em inglês) do Fed anunciar a manutenção dos juros. O “dollar index”, calculado pela Bloomberg, registra variação negativa de 0,64%. Anteriormente, operava em alta.

VOLATILIDADE NO MERCADO DE JUROS

A indefinição sobre a presença de Lula no governo Dilma fez também surgir o rumor de que Tombini poderia deixar o cargo, o que teve impacto no mercado de juros da BM&FBovespa. A maior pressão de alta ocorreu s obre os contratos mais longos, que subiram forte pela manhã, mas voltaram a ceder com a confirmação de Lula como ministro da Casa Civil. Os DIs com vencimento em janeiro de 2020, que fecharam ontem a 14,60%, chegaram a 14,93% e agora são negociados a 14,67%. Já os de janeiro do ano que vem, que fecharam a 13,885%, são agora negociados a 13,805%.

— Os juros estão operando em cima do cenário político. Não há influência dos indicadores econômicos. Há uma preocupação sobre a ida ou não de Lula para o governo Dilma e os rumores da saída de Tombini. O mercado nunca gostou do Tombini, mas ele sempre foi coerente em alguns pontos, como o não uso das reservas internacionais — disse Paulo Petrassi, sócio-gestor da Leme Investimentos.

PETROBRAS PASSA A SUBIR

Na Bolsa, a queda do Ibovespa foi amenizada pelo desempenho das ações da Petrobras, que passaram a subir, acompanhando a melhora do preço do petróleo no mercado internacional. Segundo operadores, a compra de papéis da estatal está sendo liderada por corretoras que têm como principal foco os investidores estrangeiros.

Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da estatal registraram alta de 8,77%, cotados a R$ 7,19, e os ordinários (ONs, com direito a voto) avançaram 8,08%, a R$ 9,63. O barril do tipo Brent sobe 3,43%, a US$ 40,07 o barril.

No caso das ações preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco, os recuos são de, respectivamente, 3,25% e 2,57%. Os papéis do Banco do Brasil têm alta de 4,28%.

No exterior, os indicadores do mercado acionário americano passaram a operar em alta após a decisão do Fed. O Dow Jones sobe 0,62% e o S&P 500 tem variação positiva de 0,41%. Na Europa, o DAX, de Frankfurt, fechou em alta de 0,50% e o FTSE 100, de Londres, registrou avanço de 0,58%. Já o CAC 40, da Bolsa de Paris, caiu 0,22%.

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