Dados fracos nos EUA fazem dólar fechar em queda, a R$ 3,505

SÃO PAULO – O dólar comercial voltou a perder força, com o segundo dia consecutivo sem atuação do Banco Central e os dados fracos do mercado de trabalho nos Estados Unidos. A moeda americana fechou cotada a R$ 3,503 na compra e a R$ 3,505 na venda, queda de 1,01% ante o real – na mínima, atingiu R$ 3,495. Na semana, no entanto, a divisa acumula alta de 1,9%. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou praticamente estável, com pequena variação positiva de 0,09%, aos 51.717 pontos – e um recuo de 4,1% no acumulado da semana.

Na primeira hora de negócios, a moeda chegou a operar em alta, refletindo novo rebaixamento da nota do Brasil para BB pela agência de classificação de risco Fitch e os dados do mercado de trabalho nos Estados Unidos. No entanto, logo depois, houve o entendimento de que houve um enfraquecimento dos números, com a taxa de desemprego ficando estável em 5% e menor geração das vagas de trabalho. No exterior, o “dollar index”, calculado pela Bloomberg, estava praticamente estável próximo ao horário do encerramento dos negócios no Brasil, com pequena variação positiva de 0,05%.

— A economia americana mostrou sinais de desaceleração, o que pode levar o Federal Reserve (Fed, o bc americano) a demorar mais para subir os juros. Isso faz o dólar perder força. Internamente, houve a aceleração do IPCA, que influencia o dólar. Uma inflação mais alta vai adiar a queda da Selic e os estrangeiros se sentem atraídos a investir em renda fixa no Brasil — avaliou Paulo Eduardo Nogueira Gomes, economista-chefe Azimut Brasil.

Pela manhã, o IBGE divulgou que a inflação oficial do país, medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 0,61% em abril, ante 0,43% em março.

A ausência do Banco Central, pelo segundo pregão consecutivo, também contribuiu para a queda da cotação. Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, acredita que a autoridade monetária se ausentou porque a moeda ficou acima dos R$ 3,50 por quase todo o pregão e não justificaria o anúncio de um leilão de swaps cambiais reversos (que equivalem a compra de moeda no mercado futuro) no final dos negócios.

— Sem o BC, ninguém vai apostar em uma alta na cotação. Como não houve atuação, os agentes se sentiram seguros para a taxa cair até próximo dos R$ 3,50 — avaliou.

Os investidores também ficaram de olho nas consequências do afastamento do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e na sessão da comissão especial do impeachment no Senado, que aprovou o relatório de admissibilidade do impedimento da presidente Dilma Rousseff.

VALE SE RECUPERA

Na Bolsa, o índice de referência Ibovespa fechou perto da estabilidade sustentado pela alta das ações da Vale e Petrobras. A mineradora chegou a operar em queda no início do pregão. No entanto, as ações preferenciais (PNs, sem direito a voto) da mineradora registraram alta de 1,88% e os ordinários (ONs, com direito a voto) avançaram 1,32%. A queda na abertura dos negócios foi causada pelo recuo de 3,25% do minério de ferro no porto de Qingdao, na China, a US$ 58,29 a tonelada.

No caso da Petrobras, a alta foi de 2,75%, nas preferenciais, cotadas a R$ 10,08, e de 2,29% nas ordinárias, a R$ 12,93. O petróleo do tipo Brent tinha alta de 0,62%, a US$ 45,29 o barril. Já entre as quedas, destaque para os papéis das Lojas Americanas, que caíram 4,84%.

No exterior, pesa uma maior aversão ao risco, causada não só pelos dados mais fracos da economia americana, mas também com o temor de uma desaceleração mais forte na China. Na Europa, o DAX, de Frankfurt, fechou em leve alta de 0,18%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, recuou 0,42%. O FTSE 100, de Londres, teve pequena alta de 0,14%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,45% e o S&P 500 teve alta de 0,32%.

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