Dívida de US$ 571 bilhões sinaliza mais calotes de empresas na China

PEQUIM – Os investidores em dívida da China estão ficando pessimistas no momento errado para os tomadores de empréstimos corporativos do país, que enfrentam um recorde de 3,7 trilhões de yuans (US$ 571 bilhões) em vencimentos de títulos locais até o fim do ano.

Como os maiores pagamentos de notas deste ano estão concentrados em alguns dos setores do país com maiores apertos financeiros, a China precisa de mercados dinâmicos para ajudar suas empresas a se refinanciarem. Em vez disso, os yields subiram ao maior ritmo em mais de um ano em abril e a emissão caiu 43%, porque os mutuários cancelaram 143 bilhões de yuans em vendas de dívidas planejadas.

A deterioração da confiança do investidor aumentou o risco de calotes em um mercado em que pelo menos sete empresas já não pagaram obrigações neste ano, número que iguala o total de 2015. Embora os bancos estatais possam intervir para ajudar os tomadores de empréstimos mais fracos, os calotes de três empresas estatais nos últimos três meses sugerem que as autoridades econômicas estão se tornando mais tolerantes com as falências corporativas à medida que a economia desacelera.

— O maior risco para o mercado de títulos onshore é o risco de refinanciamento — disse Qiu Xinhong, gestor de recursos em Shenzhen da First State Cinda Fund Management, que administra 11 bilhões de yuans. — Com uma quantidade tão grande de títulos vencendo, se os emissores chineses não conseguirem vender títulos novos para pagar os velhos, haverá mais calotes.

‘ECONOMIA VELHA’

As pressões para o pagamento são mais extremas nos setores da ‘economia velha’ da China, os mais prejudicados pela desaceleração do país. As empresas de metais e as mineradoras negociadas em bolsa, que geraram lucros operacionais suficientes para cobrir só a metade de seus gastos com juros em 2015, enfrentam pagamentos de principal de 389 bilhões de yuans até o fim do ano. As companhias de geração de eletricidade devem 332 bilhões de yuans e os vencimentos das empresas de carvão aumentaram para 292 bilhões de yuans.

A SDIC Xinji Energy, uma produtora estatal de carvão que no dia 11 de março cancelou uma venda de títulos, tem que pagar 1 bilhão de yuans em notas no dia 15 de maio, segundo dados compilados pela Bloomberg. A China International Capital destacou a empresa como uma das emissoras onshore de mais risco no segundo trimestre. Fei Dai, secretário do conselho da SDIC, disse na terça-feira que a empresa obterá empréstimos bancários e outras medidas para evitar um calote. As ações caíram 5% e atingiram o nível mais baixo desde dezembro de 2014 nesta quarta-feira em Xangai.

RELATIVAMENTE BAIXOS

Apesar de os custos do crédito para corporações terem dado um salto no mês passado na China, eles continuam sendo baixos em relação ao histórico. O índice da Chinabond da dívida com vencimento em sete anos de empresas com notas de crédito máximas tem um yield de 3,84% na comparação com uma média de cerca de 5% em cinco anos.

Os bancos também poderiam oferecer uma fonte alternativa de financiamento.

A SDIC Xinji recorrerá a credores para honrar seu pagamento de títulos neste mês e o governo de Ningbo, sede da Evergreen Holding Group, que tem 400 milhões de yuans em notas com vencimento no dia 15 de maio, pediu em dezembro aos órgãos reguladores e a bancos comerciais que apoiassem a construtora naval.

Contudo, as autoridades econômicas parecem estar evitando as iniciativas de resgate generalizadas na tentativa de reduzir o excesso de capacidade nos setores da velha economia. É provável que o governo concentre seus recursos em empresas “muito grandes para falir” e reduza o apoio para as outras corporações chinesas, segundo Xia Le, economista-chefe do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria SA para a Ásia em Hong Kong.

— As consequências para a economia chinesa serão enormes se as empresas não conseguirem refinanciar suas dívidas no mercado de títulos e, ao mesmo tempo, os bancos escolherem empresas seguras para dar empréstimos — disse Xia. — Veremos mais empresas menores falirem.

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