Dívida da Oi cresce 25% e vai a R$ 38,1 bilhões

RIO – O endividamento da Oi cresceu 25% em 2015 e alcançou R$ 38,155 bilhões, informou ontem a segunda maior operadora de telecomunicações do país, cujo prejuízo no período aumentou 21,4%, para R$ 5,348 bilhões. A combalida situação financeira da empresa está acelerando o processo de reestruturação da dívida. Os principais credores da tele, donos dos títulos emitidos no exterior, decidiram contratar juntos empresas especializadas em recuperação financeira. O objetivo, segundo fontes consultadas pelo GLOBO, é viabilizar a negociação — que, do lado da Oi, é conduzida pela assessoria americana PJT.

O avanço da dívida ocorreu devido ao desembolso de US$ 632,5 milhões do China Development Bank (CDB), parte de uma linha de US$ 1,2 bilhão, e à alta das despesas financeiras associadas à conclusão da venda das operações em Portugal para a francesa Altice, em junho de 2015.

— O aumento da dívida é preocupante. É claro que o avanço do endividamento acelera a busca por uma solução o quanto antes, de ambos os lados. Por isso, os credores estão se juntando. Eles querem resolver essa situação, pois a dívida caminha para um patamar insustentável. As conversas entre os credores e a PJT já estão acontecendo — ressaltou essa fonte.

Apesar do prejuízo no ano passado, causado, sobretudo, pela baixa contábil (impairment) de R$ 1,671 bilhão nos ativos da África, a companhia registrou uma geração de caixa operacional de rotina, medida pelo Ebitda, de R$ 7,23 bilhões. O número ficou acima dos R$ 7,116 bilhões em 2014. A geração de caixa ficou ainda dentro do intervalo da meta estabelecida pela companhia, que oscilava entre R$ 7 bilhões e R$ 7,4 bilhões.

Em conferência com analistas, o presidente da Oi, Bayard Gontijo, disse que 2015 teve um ambiente desafiador. Além de destacar o aumento da geração de caixa da empresa no ano passado, o executivo destacou que a companhia teve de buscar novo rumo após a Telecom Italia revelar que não tinha interesse em uma fusão com a Oi:

— A administração da Oi e o Conselho de Administração discutem alternativas financeiras e de estratégia para otimizar a liquidez (quantidade de dinheiro em caixa) e o perfil de endividamento. Como estamos no no meio dessa avaliação, não podemos discutir o caso.

TÍTULOS NO EXTERIOR CAEM

Na renegociação da dívida, segundo fontes, os credores donos dos títulos (bonds) emitidos no exterior contrataram as empresas americanas Moelis & Company e Houlihan Lokey. Um escritório “vai cuidar dos interesses” dos credores que compraram os bonds emitidos com vencimento em 2021, no valor de € 600 milhões, e o outro dos títulos com vencimento em 2022, no valor de US$ 1,5 bilhão.

Para os títulos emitidos com vencimento em 2021, os principais credores são Bluebay, FIL, BTG, M&G Investment Unicredit e Ashmore. No caso dos bonds para 2022, os principais credores são Insight Investment, Blackrock, Acomea, Pictet, Arca SGR, Union Investment, Raiffeisen Bank, Bank of New York Mellon e Artemis.

Como o GLOBO revelou na semana passada, a PJT deve propor aos credores transformar as dívidas em ações com um deságio entre 70% e 80%. Porém, as negociações não serão fáceis, destacou uma fonte. Procurados, a Moelis e Houlihan não se pronunciaram.

De acordo com dados da Bloomberg, os títulos com vencimento em 2022 acumulam queda nos últimos 12 meses. Há um ano, os papéis eram negociados a 80% de seu valor de face com yield (rendimento) de 9,8%. Ontem, estavam a 26,25% de seu valor de face e rendimento de 36,7%. Já os bonds com vencimento em 2021 viram seu valor de face cair de 96,9%, no dia 12 de junho do ano passado (primeiro dia de negociação), para 25,13% ontem, enquanto os rendimentos oferecidos ao mercado subiram de 6,25% para 44,59%.

— Mas hoje ainda não há uma data para que a questão da dívida seja resolvida. Tudo vai depender das conversas — disse outra fonte, destacando que a Oi ainda contratou os escritórios de advocacia Barbosa, Mussnich & Aragão e White & Case para auxiliar a PJT no processo.

VIVENDI QUER RETOMAR CONVERSA

Apesar de o processo de renegociação da dívida ser a preocupação número um da Oi hoje, fontes destacaram que a francesa Vivendi, a maior acionista da Telecom Italia (dona da TIM Brasil), com quase 25% das ações da companhia italiana, já teria sinalizado que pretende discutir com a Oi um processo de consolidação no Brasil após a tele carioca resolver seu problema de endividamento.

— Já houve uma sinalização nesse sentido. A saída do presidente da Telecom Italia, Marco Patuano, que era contra a união da TIM e da Oi, vai ajudar nesse processo. A Vivendi era a dona da GVT e vendeu a operação para a Vivo. Além disso, a Vivendi está com todo o seu foco na Europa — ressaltou essa outra fonte.

Ontem, durante a conferência com analistas, Bayard não falou sobre os novos passos da companhia. A Oi destacou que seu resultado foi afetado pela “deterioração das condições dos mercados financeiros no Brasil, com impacto significativo no aumento das taxas de juros”. Com o fraco desempenho da economia e o aumento do nível do desemprego, a Oi fechou o ano de 2015 com um aumento de 67,2% em provisões para devedores duvidosos (PDD), que chegou a R$ 187 milhões.

Além disso, a empresa teve de renegociar seus contratos com os fornecedores para poupar. Com isso, conseguiu reduzir em 20,2% os seus investimentos no ano passado, chegando a R$ 4,048 bilhões. Com menos investimentos, por outro lado, conseguiu elevar o fluxo de caixa livre, que subiu de R$ 1,644 bilhão para R$ 3,182 bilhões.

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