Dólar sobe 2,7% na semana, a R$ 3,68, com lista da Odebrecht e exterior

SÃO PAULO – O dólar comercial avançou 2,76%, encerrando R$ 3,682, na semana encerrada nesta quinta-feira (por causa do feriado de Paixão de Cristo, não haverá negociações de câmbio na sexta-feira). Na sessão de hoje, o dólar subiu 0,1%, chegando a atingir máxima de R$ 3,723 pela manhã. Segundo analistas, os investidores reagiram à divulgação da lista da Odebrecht com supostas doações ilegais a mais de 200 políticos, que tende a enfraquecer a oposição em sua pressão pelo impeachment da presidente Diulma Rousseff. Também contribuíram para a valorização da moeda americana indícios de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) segue firme em sua disposição de elevar os juros este ano.

O dólar subiu na semana em que o Banco Central (BC) agiu para evitar uma queda mais intensa da divisa. Desde segunda-feira, o BC leilões de contratos de “swap cambial reverso”, operação que equivale à compra de dólar no mercado futuro. Há três anos a autoridade monetária não fazia isso. Hoje, porém, o BC não aceitou qualquer proposta para os 3 mil contratos de swap reverso que ofereceu. Segundo especialistas, os investidores não estão muito dispostos a vender dólares quando o cenário político, por si só, tende a valorizá-lo.

— Depois do “listão” da Odebrecht, que colocou todo o espectro político no balaio, a percepção do mercado é que o processo de impeachment ficará mais demorado. Por conta disso, o mercado começou a comprar o dólar, e logo deixou de ter interesse em vender para o BC. Então a autoridade monetária não está mais encontrando demanda para o “swap reverso” — afirmou Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

Na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), o índice de referência Ibovespa acumulou queda de 2,28% na semana. No dia, a Bolsa caiu apenas 0,07%, aos 49.657 pontos, em dia de volume baixo — R$ 5,9 bilhões, 40% abaixo da média do mês — em antecipação ao feriado de amanhã.

No pregão do dia, a maior aversão ao risco em escala global e o temor de piora nas contas públicas pressionaram os negócios. Os investidores receberam de forma negativa a piora da expectativa do resultado das contas públicas. O Ministério da Fazenda anunciou na quarta-feira, após o fechamento dos mercados, que o déficit primário deve ficar equivalente a 1,55% do PIB, ou R$ 96,65 bilhões.

— Isso pesa no mercado. A partir do momento que ele assume um déficit dessa magnitude, o governo deixa claro que não está fazendo esforço nenhum para resolver seu principal problema — afirmou João Pedro Brugger, da Leme Investimento. — Além disso, o cenário político deve continuar dando o tom, pois a semana que vem é decisiva. Tem a convenção do PMDB e a continuidade dos trabalhos da comissão de impeachment.

Do ponto de vista político, os investidores estão de olho nos desdobramentos da operação Lava Jato, nas negociações do governo para tentar manter o PMDB como aliado e nas discussões em relação ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

BOLSAS NO EXTERIOR EM QUEDA

No Brasil, contribuiu para a leve queda do Ibovespa o desempenho das ações do setor bancário, o de maior peso na composição do Ibovespa. Os papéis do Itaú Unibanco caíram 1,05% e os do Bradesco recuaram 2,35%. Queda ainda maior teve o Banco do Brasil, de 3,31%.

As ações da Petrobras conseguiram apagar a queda forte que registravam pela manhã, conforme a cotação do petróleo foi atenuando as perdas. O barril do tipo Brent, que chegou a valer US$ 39,22, cai agora 0,62%, a US$ 40,12. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da estatal subiram 0,39%, cotados a R$ 7,81, e os ordinários (ONs, com direito a voto) avançaram 0,71%, a R$ 9,99.

Já a Oi, que divulgou nesta quinta-feira um prejuízo de R$ 5,3 bilhões no ano passado, registrou alta de 2,75% em suas ações ordinárias.

Entre as ações que estão em alta, o destaque foi da Vale. As ações preferenciais da mineradora saltaram 8,29% e as ordinárias apresentaram valorização de 6,59%. A alta se deu depois de a companhia ter proposto mudança na política de remuneração de acionistas, que,s e aprovada, passará a ser atrelada resultados, não a estimativas de desempenho. A nova política será decidida em assembleia convocada para 25 de abril.

No mercado acionário externo, os principais indicadores europeus fecharam em queda. O DAX, de Frankfurt, caiu 1,71%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, recuou 2.,13%. Já o FTSE 100, de Londres, registrou variação negativa de 1,49%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones subiu 0,08% e o S&P 500 teve queda de 0,04%.

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