Dólar segue exterior e sobe mais de 1%, a R$ 3,522

SÃO PAULO – Os mercados financeiros no Brasil passam por um pregão de correção, com o dólar comercial acompanhando o mercado internacional e operando em alta e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) em forte queda. Às 16h31, a moeda americana era negociada a R$ 3,520 na compra e a R$ 3,522 na venda, uma valorização de 1,41% ante o real. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 2,90%, aos 51.696 pontos, refletindo uma maior aversão ao risco que está puxando para baixo as ações da Petrobras e dos bancos.

A primeira entrevista do novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, praticamente não alterou o rumo dos negócios. Segundo analistas, as declarações foram dentro do esperado.

— Ele está em uma tentativa de retomada da confiança, de criar metas críveis. Seria bastante prematuro esperar medidas se ainda não tem a composição da equipe econômica — disse Ignacio Crespo, economista da Guide Investimentos.

A pressão sobre o mercado de câmbio e as bolsas de emergentes são decorrência de uma série de indicadores divulgados nesta quinta-feira. Na China, principal parceiro comercial do Brasil, os dados de créditos vieram piores que o esperado. Já nos Estados Unidos, as vendas de varejo tiveram uma alta acima do previsto.

— Essa surpresa positiva nos Estados Unidos mostra que o consumo está ganhando força, o que poderia levar a uma inflação e fazer o Federal Reserve (Fed, o bc americano) subir os juros. Isso ocorreu no momento em que estava caindo a aposta de uma nova alta no curto prazo — avaliou Luciano Rostagno, estrategista do Mizuho Bank.

No mercado externo, o “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mede comportamento do dólar frente a uma cesta de dez moedas, registra alta de 0,43%. O preço das commodities está em queda, o que tende a enfraquecer as divisas de países emergentes.

— O mercado já precificou a estratégia do novo governo de cortar gastos em um primeiro momento e procurar melhorar a eficiência da máquina pública. Agora vamos esperar por medidas concretas — disse Rostagno.

BOLSA EM QUEDA

Há uma expectativa em relação a novas medidas que possam estimular o crescimento e retomar o equilíbrio das contas públicas por parte do governo do presidente interino, Michel Temer. “Porém o grande e maior desafio do governante será o de reestabelecer o equilíbrio fiscal do país e nesse momento, um abatimento maior da meta fiscal desse ano para acomodar a perda com a negociação da dívida dos estados, deverá ser negociado no Congresso”, afirmou, em relatório a clientes, Ricardo Gomes da Silva Filho, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio.

Nesse ambiente e aversão ao risco no exterior e sem novidades internas, os investidores aproveitam para embolsar os ganhos das últimas semanas, quando a Bolsa subiu forte com a expectativa de impeachment. Luiz Roberto Mendonça, operadora da Renascença Corretora, lembra que os investidores também estão se protegendo em relação a possíveis novidades no final de semana.

— Há uma expectativa do que pode acontecer e como tem o final de semana, em que não há negócios, os investidores aproveitam para realizar um pouco do lucro — disse.

Na Bolsa, as ações da Petrobras abriram em alta, mas perderam força com a queda do preço do petróleo no mercado internacional – o barril do tipo Brent recua 0,64%, a US$ 47,77 o barril. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da estatal tem desvalorização de 3,16%, cotados a R$ 9,48, e os ordinários (ONs, com direito a voto) recuam 3,93%, a R$ 12,21. A petrolífera anunciou na quinta-feira à noite que registrou um prejuízo de R$ 1,25 bilhão no primeiro trimestre do ano.

As ações do setor bancário, que possuem o maior peso na composição do Ibovespa, também estão em queda. Os papéís preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco recuam, respectivamente, 4,29% e 4,69%. No caso do Banco do Brasil, a queda é de 3,36%.

No exterior, os principais índices do mercado americano abriram os negócios em alta, mas perderam força na sequência. O Dow Jones tem recuo de 1% e o S&P 500 registra variação negativa de 0,89%. Na Europa, o pregão foi de alta. O DAX, de Frankfurt, subiu 0,92% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, teve elevação de 0,62%. No FTSE 100, de Londres, a valorização foi de 0,56%.

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