Dólar segue exterior e salta 2,2%, a R$ 3,56; Bolsa cai 1,9%

RIO – O dólar comercial opera em alta de 2,17% nesta terça-feira, cotado a R$ 3,565 para compra e a R$ 3,567 para venda. Na máxima, atingiu R$ 3,582. O câmbio local acompanha o movimento de alta da divisa americana em escala global e reage a nova rodada de compra de dólares pelo Banco Central (BC). A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) recua 1,89%, aos 52.549 pontos, seguindo o mau humor dos investidores no exterior.

O BC comprou hoje US$ 490 milhões por de operações de swap cambial reverso, operação que equivale à compra de dólares no mercado futuro e contribuiu para valorizar a divisa americana. O plano do BC era oferecer 20 mil contratos, mas encontrou demanda para apenas 9,8 mil. Ontem, a autarquia já havia atuado comprando US$ 2 bilhões, contribuindo para que o dólar avançasse 1,48% ante o real.

Em escala global, o dólar sobe hoje 0,55% contra uma cesta de dez divisas, diante da divulgação de dados fracos sobre a atividade na China, do corte inesperado de juros pelo BC australiano e de declaração de membro do Federal Reserve (Fed). o presidente do Fed de Atlanta, Dennis Lockhart, disse que a elevação dos juros dos EUA em junho é “uma opção real”. O efeito é mais forte contra moedas de países emergentes, sobretudo contra o rand sul-africano e os pesos colombiano e mexicano.

— O mercado externo está mais negativo. O índice PMI da China veio ruim, pior que o esperado e que o do mês passado. Esse número acabou influenciado as commodities, que caem, e levando mau humor às Bolsas. No Brasil, estamos acompanhando esse movimento com o desempenho de Vale e Petrobras por causa da desvalorização do minério de ferro e do petróleo — explicou Hersz Ferman, da Elite Corretora. — Nesse contexto, o dólar é uma variável que responde ao risco. Não ajuda também o fato de o governo ter aumentado o IOF para operações de câmbio, ontem, e ter continuado a promover swaps reversos.

A pesquisa Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) mostrou hoje que a atividade das indústrias da China encolheu pelo 14º mês seguido em abril. O índice fechou o mês em 49,4 (valores abaixo de 50 indicam contração), enquanto os economistas esperavam 49,9.

AÇÕES DO IBOVESPA EM QUEDA INTENSA

Na Bovespa, as principais ações operam em queda intensa. O Itaú Unibanco PN, papel de maior peso no pregão, registra recuo de 5,03% (R$ 30,34). O banco divulgou na manhã desta terça-feira lucro líquido abaixo do esperado para o primeiro trimestre, com salto nas provisões para perdas com inadimplência e receitas pressionadas devido à retração na carteira de crédito. O lucro somou R$ 5,184 bilhões, abaixo dos R$ 5,733 bilhões de igual período de 2015, e o menor desde o segundo trimestre de 2014.

Outros bancos seguem a tendência. O Banco do Brasil ON despenca 4,26% (R$ 20,63), enquanto o Bradesco PN recua 2,60% (R$ 24,71). A unit do Santander cai 1,04% (R$ 18,07).

— O resultado do Itaú não foi positivo. No geral, os bancos têm tido crescimento da carteira de crédito e receita com tarifas abaixo da inflação e, sobretudo, aumento das provisões contra inadimplência. Isso faz com que a rentabilidade das operações de crédito caia muito, acendendo a luz amarela para os resultados dos bancos, que têm peso enorme no Ibovespa — acrescentou Hersz Ferman, da Elite.

A Petrobras ON cai 3,61% (R$ 12,79), enquanto a PN 4,12% (R$ 9,75). A companhia é influenciada pela desvalorização de 1,71% do barril de petróleo do tipo Brent, a US$ 45,02.

Na Vale, a ação ordinária despenca 6,13% (R$ 18,65), e a PNA tem baixa de 5,18% (R$ 14,82). Na China, após a divulgação do PMI decepcionante sobre a indústria, o minério de ferro recuou 4,27%, com a tonelada custando US$ 63,41.

BOLSAS ESTRANGEIRAS EM BAIXA

Na Europa, as Bolsas fecharam em queda. O índice Euro Stoxx 50, referência no continente, cai9u 1,93%. A Bolsa de Londres caiu 0,90%, e a de Paris, 1,59%. Em Frankfurt, o recuo foi de 1,94%.

Em Wall Street, o índice Dow Jones cai 0,62%, enquanto o S&P 500 tem baixa de 0,60%. A Nasdaq cai 0,76%.

ver mais notícias