Dólar segue exterior e opera em alta de 1,06%, a R$ 3,51

SÃO PAULO – O dólar comercial acompanha o mercado internacional e opera em alta nesta sexta-feira. Às 13h15, a moeda americana era negociada a R$ 3,508 na compra e a R$ 3,510 na venda, uma valorização de 1,06% ante o real. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 2,25%, aos 52.044 pontos, refletindo uma maior aversão ao risco.

A pressão sobre o mercado de câmbio e as bolsas de emergentes são decorrência de uma série de indicadores divulgados nesta quinta-feira. Na China, principal parceiro comercial do Brasil, os dados de créditos vieram piores que o esperado. Já nos Estados Unidos, as vendas de varejo tiveram uma alta acima do previsto.

— Essa surpresa positiva nos Estados Unidos mostra que o consumo está ganhando força, o que poderia levar a uma inflação e fazer o Federal Reserve (Fed, o bc americano) subir os juros. Isso ocorreu no momento em que estava caindo a aposta de uma nova alta no curto prazo — avaliou Luciano Rostagno, estrategista do Mizuho Bank.

No mercado externo, o “dollar index”, calculado pela Bloomberg e que mede comportamento do dólar frente a uma cesta de dez moedas, registra alta de 0,65%. O preço das commodities está em queda, o que tende a enfraquecer as divisas de países emergentes.

Para esta sexta-feira, o Banco Central (BC) ainda não anunciou nenhum tipo de intervenção. Na quinta-feira, com a mudança de governo, mesmo que provisória, já nas contas dos investidores, não houve euforia durante o pregão. O dólar fechou em alta de 0,75%, cotado a R$ 3,473.

Os investidores também repercutem as primeiras declarações do novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que afirmou que a economia está em uma mudança de itinerário. Não houve grandes variações na cotação do dólar após as declarações do ministro e a Bolsa registrou uma leve piora.

— O mercado já precificou a estratégia do novo governo de cortar gastos em um primeiro momento e procurar melhorar a eficiência da máquina pública. Agora vamos esperar por medidas concretas — disse Rostagno.

BOLSA EM QUEDA

Há uma expectativa em relação a novas medidas que possam estimular o crescimento e retomar o equilíbrio das contas públicas por parte do governo do presidente em exercício, Michel Temer. “Porém o grande e maior desafio do governante será o de reestabelecer o equilíbrio fiscal do país e nesse momento, um abatimento maior da meta fiscal desse ano para acomodar a perda com a negociação da dívida dos estados, deverá ser negociado no Congresso”, afirmou, em relatório a clientes, Ricardo Gomes da Silva Filho, superintendente da Correparti Corretora de Câmbio.

Na Bolsa, as ações da Petrobras abriram em alta, mas perderam força com a queda do preço do petróleo no mercado internacional – o barril do tipo Brent recua 1,04%, a US$ 47,58 o barril. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da estatal tem desvalorização de 0,91%, cotados a R$ 9,70, e os ordinários (ONs, com direito a voto) recuam 3,54%, a R$ 12,26. A petrolífera anunciou na quinta-feira à noite que registrou um prejuízo de R$ 1,25 bilhão no primeiro trimestre do ano.

As ações do setor bancário, que possuem o maior peso na composição do Ibovespa, também estão em queda. Os papéís preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco recuam, respectivamente, 3,92% e 4,40%. No caso do Banco do Brasil, a queda é de 1,55%.

No exterior, os principais indicadores do mercado acionário operam em alta. O DAX, de Frankfurt, sobe 0,92% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, tem alta de 0,62%. No FTSE 100, de Londres, a valorização é de 0,56%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones tem recuo de 0,23% e o S&P 500 registra pequena variação negativa de 0,05%.

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