Dólar comercial tem forte queda e recua a R$ 3,37

RIO e SÃO PAULO – O dólar comercial se mantém em queda frente ao real nesta quarta-feira e atinge o menor patamar em quase um ano. A divisa já abriu em forte baixa de 1,27% e às 15h46m recuava 2,23% sendo negociada a R$ 3,37, a mínima do dia. É o menor nível intradia desde 29 de julho de 2015 quando a divisa encerrou as negociações vendida a R$ 3,33. Na máxima, o dólar subiu a R$ 3,41. Na véspera, a moeda americana perdeu 1,14% frente ao real, fechando a R$ 3,451 na venda.

De acordo com analistas, o dólar reage à mudança no comando do Banco Central brasileiro e também a fatores externos, com uma queda menor das importações na China. No mês passado, as importações chinesas caíram apenas 0,4% na comparação anual, para US$ 131,084 bilhões, enquanto em abril haviam recuado 10,9%. A percepção é que a demanda interna do segundo maior parceiro comercial do Brasil está se recuperando, ainda que lentamente. Esse cenário favorece moedas ligadas a commodities, como o real brasileiro.

— O mercado começa a testar um novo patamar para o dólar, depois da nomeação do economista Ilan Goldfajn para o Banco Central. A percepção é que o BC será menos intervencionista no câmbio e deixará a moeda flutuar livremente — explica Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da corretora Treviso.

Ontem o novo presidente do Banco Central, o economista Ilan Goldfajn, foi aprovado para o cargo depois de ser sabatinado pelo Senado. Galhardo observa que Goldfajn defendeu o “respeito ao regime de câmbio flutuante” e que o “câmbio não é ancora para a inflação”, afirmações que agradam ao mercado, afirma o especialista.

— O movimento de queda da moeda frente ao real também é resultado de um desmonte de posições de investidores que apostavam na alta do dólar. O boletim Focus do fim do ano passado previa um dólar a R$ 3,68 este ano, por exemplo. E o mercado começa a antecipar que podem entrar muitos recursos estrangeiros com a expectativa de retomada de novas concessões – diz Galhardo.

A expectativa de ingresso de divisas referentes à emissão de US$ 1,25 bilhão em bônus da Vale, na noite passada, também ajuda a derrubar a cotação do dólar hoje. Os especialistas avaliam que se houver trégua no campo político, a moeda americana pode recuar ainda mais.

Em relatório, o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva, também avalia uma mudança de comportamento do BC em relação câmbio.

“A ausência do Banco Central no mercado sugere que o piso de R$ 3,50 defendido pela administração anterior, deixou de ser meta para a atual direção do BC”, afirmou.

A economista da consultoria Tendências, Gabriela Szini, observa que com o dólar flutuando entre R$ 3,60 e R$ 3,70, no início do ano, o país ganhou competitividade nas exportações, especialmente em setores como material de transporte e agropecuária, que são bastante sensíveis ao câmbio. No primeiro trimestre de 2016, as exportações brasileiras cresceram 17%, em termos de quantidade, em relação ao mesmo período de 2015.

— Em termos de valores exportados, houve um recuo de 1,6% por causa da queda no preço das commodities. Mas em quantidade exportada houve crescimento. Mesmo com o dólar recuando abaixo de R$ 3,40, ainda estamos num patamar favorável às exportações, que devem crescer 15,7% este ano em relação a 2015, em termos de quantidade, segundo nossas estimativas – explica Szini.

Ela acredita que neste momento de “baixo stress” no mercado, o dólar pode se manter no nível atual, abaixo de R$ 3,40, mas quando o Federal Reserve, o banco central americano, fizer o primeiro movimento de alta de juros, isso terá reflexo no dólar, que deve se valorizar frente ao real. Na expectativa da Tendências, a alta de juros nos EUA poderá acontecer em julho e em dezembro. Com isso, a consultoria espera que a moeda americana termine o ano na casa de R$ 3,72.

Na terça, o dólar perdeu valor diante do real, segundo analistas, reagindo à valorização das commodities e ao dado de inflação mais forte que o esperado. Globalmente, o dólar caiu 0,4% contra uma cesta de dez moedas, com os investidores ainda interpretando que o discurso da presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) na segunda-feira tornou mais difícil que o país suba juros no curto prazo.

BOVESPA EM ALTA

Na Bolsa de Valores de São Paulo, o Ibovespa, índice de referência do mercado de ações brasileiro, abriu em alta e às 14h48m subia 2,21% aos 51.604 pontos. Papéis ligados a commodities apresentam forte valorização, com uma queda menor no ritmo das importações chinesas anunciada hoje. As ações preferenciais da Vale sobem 1,38% a R$ 13,18, enquanto as preferenciais da Petrobras apresentam valorização de 7,19% negociadas a R$ 9,25. As ações de bancos, que têm maior peso no Ibovespa, também sobem. Os papéis preferenciais do Itaú Unibanco avançam 2,06% a R$ 30,70 enquanto os preferenciais do Bradesco se valorizam 3,34% a R$ 25,06.

– O cenário externo mais ameno anima os investidores. Na China, as importações cresceram menos e o preço do petróleo está em alta no exterior. A queda menor das importações chinesas se sobrepõe ao cenário político, que não teve novas denúncias nesta quarta, depois do pedido de prisão de “caciques do PMDB”. A expectativa de que a alta de juros nos EUA não acontecerá no curto prazo também ajuda o pregão – afirma Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença.

As ações da Petrobras também sobem reagindo à informação de que a companhia abriu processo competitivo para a venda de terminais de Gás Natural Liquefeito (GNL) no Rio de Janeiro e no Ceará e de usinas termelétricas associadas a esses terminais.

As ações da Eletrobras também apresentam alta com a notícia de que o governo vai capitalizar a estatal de energia em R$ 5 bilhões. Os papéis ordinários (com direito a voto) sobem 1,56% a R$ 9,07 enquanto as ações preferenciais avançam 0,93% a R$ 13,97.

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