Dólar cai pelo 4º dia e fecha em R$ 3,59, menor valor desde agosto

RIO – O dólar comercial registrou queda de 1,42% nesta sexta-feira, a R$ 3,588 para compra e a R$ 3,590 para venda. Foi a menor cotação desde 31 de agosto do ano passado. Na mínima da sessão, a moeda chegou a valer R$ 3,581. Foi a quarta queda consecutiva do dólar comercial, que acumulou na semana desvalorização de 4,54%, embalado pelo noticiário político. O mercado financeiro tem se mostrado crítico à política econômica atual e reage positivamente a notícias desfavorável ao governo da presidente Dilma Rousseff.

Hoje, porém, a moeda brasileira segue a tendência de valorização de divisas emergentes após o Banco Central da China promover uma alta no yuan contra o dólar. Os investidores também demonstraram cautela com a notícia de que o Ministério Público de São Paulo pediu a prisão preventiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O pedido acabou sendo criticado até pela oposição.

— O mercado acordou hoje sem empolgação com o pedido do MP-SP sobre Lula porque a percepção geral é que trata-se de um pedido muito fraco, que não deve se concretizar — disse Luiz Roberto Monteiro, operador da corretora Renascença. — Assim, o movimento que tem hoje é mais ligado ao mercado internacional, com o petróleo e várias commodities metálicas em alta, além das Bolsas subindo forte.

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrou alta de 0,14%, com o índice de referência Ibovespa aos 49.638 pontos. O pregão foi favorecido pelo bom humor dos mercados globais após a Europa anunciar novas medidas de estímulos. Na semana, a Bolsa avançou 1,13%, a quarta alta semanal consecutiva, incluindo o salto de 18,01% da semana anterior.

— A Bolsa teve um desempenho cauteloso hoje, com os investidores esperando o fim de semana. Tudo o que o investidor podia fazer para se posicionar para o cenário político, ele já fez. Agora é ver a proporção das manifestações de domingo — disse Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

Globalmente, o dólar opera em queda de 0,24% contra uma cesta de dez moedas, segundo o índice Dollar Spot, da Bloomberg. Contra moedas emergentes, a trajetória é mais acentuada, com o dólar caindo contra 21 de 24 divisas.

Segundo Daniel Weeks, economista da Garde Asset, a queda do dólar frente ao real hoje é impulsionada principalmente pelo cenário externo. Mas ele observa que a tendência do câmbio no curto prazo está condicionada à situação política.

— O fim de semana será bastante importante nesse sentido. A manifestação marcada para domingo e o posicionamento do PMDB em sua convenção devem indicar se a situação continua conspirando para um impeachment da presidente Dilma. Caso isso se confirme, o dólar deve seguir em trajetória de queda — comentou Weeks.

A valorização de moedas emergentes acompanhou a decisão do Banco do Povo (banco central da China) de subir em 0,34% sua cotação de referência para o câmbio com o dólar, para 6,490 yuan por dólar. Foi a menor elevação em quatro meses da taxa de referência, a partir da qual o câmbio pode flutuar 2% para cima ou para baixo nas negociações na China continental.

BOLSAS EUROPEIAS DISPARAM COM ESTÍMULOS

A medida chinesa veio depois do anúncio de novo pacote de estímulos monetários na Europa, que fez com que o dólar perdesse força. O Banco Central Europeu (BCE) cortou na quinta-feira suas três taxas de juros e expandiu seu programa de compra de ativos, entregando um pacote maior do que o esperado para impulsionar a economia e impedir que a inflação extremamente baixa se enraíze.

O corte da taxa de depósito do BCE ainda mais além no território negativo, cobrando mais dos bancos para deixarem seu dinheiro guardado com o banco central, e o aumento das compras mensais de ativos para € 80 bilhões, sobre € 60 bilhões antes, superaram as expectativas de aumento para € 70 bilhões.

Com isso, as Bolsas europeias operam em forte alta. O índice Euro Stoxx 50, referência do continente, subiu 3,47%, enquanto a Bolsa de Londres avançou 1,71%. Em Paris, a valorização foi de 3,27%, e em Frankfurt, de 3,51%.

Nos EUA, o índice Dow Jones subiu 1,28%, enquanto o S&P 500 avançou 1,64%, fechando em seu maior nível no ano. O Nasdaq tem alta de 1,85%.

BANCOS E VALE EM ALTA

Na Bolsa brasileira, as ações da Petrobras subiram 2,85% (ON, com direito a voto, por R$ 10,09) e 1,76% (PN, sem voto, a R$ 8,09). A Vale ON teve queda de 0,93% (a R$ 13,87), enquanto a PNA subiu 0,20% (R$ 10,15).

Entre os bancos, o Banco do Brasil ON avançou 6,28% (R$ 22,85), enquanto o Bradesco PN subiu 3,56% (R$ 26,77). O Itaú Unibanco PN subiu 0,84% (R$ 32,33).

As ações Usiminas ON registram queda de 8,15%, a R$ 4,51. A siderúrgica informou que os grupos Nippon Steel e Techint, controladores da empresa, apresentaram propostas separadas de aumento de capital da companhia, com intenção de subscreverem ações até o limite de R$ 1 bilhão e R$ 500 milhões, respectivamente. A siderúrgica decidirá se aceita ou não tais propostas na reunião do conselho de administração, marcada para a tarde desta sexta-feira.

— O acordo não é ruim para a Usiminas. A queda aconteceu por causa daquele clássico comportamento: a ação subiu nos boatos antecipando a operação, e os investidores aproveitaram para realizar lucro quando o fato se concretizou — disse Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora.

 

ver mais notícias