Dólar cai a R$ 3,65 e Bolsa chega a saltar 6% com ação contra Lula

RIO – Após a Polícia Federal lançar nova fase da operação Lava Jato que tem como alvo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o dólar comercial despenca e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) dispara nesta sexta-feira. A moeda americana recua agora 1,57%, cotada a R$ 3,741 para compra e a R$ 3,743 para venda. Na mínima, porém, a divisa chegou a cair a R$ 3,656. Já o índice Ibovespa, referência da Bolsa, salta 3,28%, aos 48.739. Na máxima, porém, a Bolsa chegou a subir 6%, atingindo 50.023 pontos — maior patamar desde agosto. A Bovespa caminha, assim, para uma alta semanal de mais de 18%, a maior já registrada desde 2008.

O mercado financeiro, em sua grande parte, é crítico à política econômica da presidente Dilma Rousseff e costuma reagir de forma positiva a notícias desfavoráveis ao seu governo.

— Notícias como essas levam o mercado a enxergar uma ampliação nas chances da troca de comando na Presidência, o que pode abrir caminho para alguma solução ao problema fiscal no Congresso. Mas, por enquanto, é difícil dizer se isso vai mudar, é preciso acompanhar os desdobramentos dos próximos dias — disse Thais Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg Consultores. — O tom das próximas sessões deve ser de muita volatilidade.

Rosenberg, que previa dólar a R$ 4,40 no fim do ano por causa do movimento de aumento de juros nos EUA, está revisando suas projeções levando em conta as mudanças nos ambiente político interno.

— A cena política está comandando o movimento, embora haja alguma ajuda do petróleo, que sobe. É importante observar que o volume de contratos de dólar negociados está muito alto, então trata-se de um movimento do qual todo o mercado está participando. Mas a dúvida que fica é se esse nível de preço para o dólar é aquele que o mercado prevê para um eventual governo Temer? — disse Cleber Alessie, trader de câmbio da H. Commcor.

‘DÓLAR NÃO DEVE CAIR ABAIXO DE R$ 3,60’

Alessie acha pouco provável que o dólar siga em queda intensa sem passar por um momento de alta, como forma de ajuste natural de preços.

— Se isso acontecesse, seria uma excesso de otimismo. Será que é para tanto? É isso que eu me pergunto — questionou.

Na opinião do operador, o dólar dificilmente caíra abaixo dos R$ 3,60, mesmo que a presidente Dilma deixe o poder. Isso porque, com o mercado de trabalho dos EUA demonstrando força, a probabilidade de novo aumento de juros naquele país este ano já está acima de 60%.

A alta da Bolsa é generalizada, mas a maior contribuição vem dos papéis de empresas estatais. A Petrobras ON salta 11,96%, a R$ 10,20, enquanto a PN avança 15,52% (R$ 7,59). O Banco do Brasil ON sobe 14,99%, valendo R$ 19,10. A ação da Eletrobras avança 5%, a 11,11%.

SEMANA DE SALTOS

O vazamento de parte do teor da delação premiada do senador Delcídio Amaral (MS-PT) já havia influenciado os mercados financeiros no Brasil ontem. O dólar fechou em seu menor patamar desde 10 de dezembro e a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu forte puxada pelo desempenho das estatais. A alta do Ibovespa foi de 5,12%, aos 47.193 pontos. Essa é a maior alta desde outubro de 2009. Já a moeda americana encerrou o pregão cotada R$ 3,801 na compra e a R$ 3,803 na venda, um recuo de 2,21% ante o real.

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