Dólar acelera a queda e é negociado abaixo de R$ 3,60

SÃO PAULO – O dólar comercial acelera a queda e é negociado abaixo dos R$ 3,60. Às 14h53, a moeda americana era cotado a R$ 3,569 na compra e a R$ 3,571 na venda, recuo de 1,40% ante o real – na mínima já chegou a R$ 3,534. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registra desvalorização de 2,16% em seu índice Ibovespa, aos 50.140 pontos.

A divisa já está no menor patamar desde o final de agosto do ano passado. A queda do dólar se acentuou após o Banco Central (BC) anunciar que vendeu apenas 2,9 mil dos 17 mil contratos de swap cambial reverso ofertados no leilão desta quinta-feira. Esses contratos possuem o efeito de uma compra de dólar no mercado futuro e tendem a pressionar a cotação para cima. No entanto, a autoridade monetária não conseguir ofertar todo o lote, o que já havia ocorrido na quarta-feira.

— O BC não deu um prêmio atrativo para o mercado e então os agentes saíram vendendo. No exterior o dólar também está com essa tendência, então acaba impulsionando o movimento aqui — explica Italo Abucater, gerente de câmbio corretora Icap do Brasil.

A moeda segue a trajetória mesmo após o fechamento da Ptax do mês, que servirá para a liquidação de contratos atrelados ao dólar. Essa cotação é calculada pelo BC e considera as cotações das 9h às 13h e nesta quinta-feira ficou em R$ 3,5589.

Na quarta-feira, o dólar comercial fechou em queda de 0,46%, a R$ 3,622, acompanhando o movimento dos mercados internacionais.

No mercado externo, o “dollar index” registra recuo de 0,25%. Esse índice, calculado pela Bloomberg, leva em consideração o comportamento da divisa americana frente a uma cesta de dez moedas.

PERDAS NA BOLSA

Os investidores repercutem ainda o relatório de inflação do BC, em que a autoridade monetária vê a inflação acima da meta em 2016 e maior que o previsto do relatório anterior no ano que vem. A autoridade monetária também indica que não há espaço para flexibilização da taxa de juros.

Já o ambiente político, com as discussões sobre o impeachment da presidente Dilma Rousseff, também estão no radar. “Do lado político, notamos certo refluxo no otimismo dos agentes em função do balcão de ofertas aberto pelo governo. O Governo publicou a programação orçamentária com corte de R$ 21 bilhões, mas manteve intacta as emendas de parlamentares. Isso mesmo com a absoluta degradação das contas públicas”, avaliou, em relatório, Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais.

Contribuem para a queda do Ibovespa o desempenho do setor bancário, o de maior peso na composição do índice e que opera em queda nesta quinta-feira. As ações preferenciais (PNs, sem direito a voto) do Itaú Unibanco e do Bradesco recuam, respectivamente, 2,83% e 3,24%. Já os papéis do Banco do Brasil caem 2,96%.

Também estão em queda os papéis da Vale. As PNs caem 2,22% e as ordinárias (ONs, com direito a voto) têm recuo de 2,57%.

Já a Petrobras cai apesar da alta do petróleo no mercado internacional. As preferenciais recuam 0,82%, cotadas a R$ 8,37, e as ordinárias têm desvalorização de 0,74%, a R$ 10,62. O barril do tipo Brent é negociado a US$ 39,68, alta de 1,07%.

No mercado externo, os principais índices americanos, Dow Jones e S&P 500, estão estáveis. Já os índices europeus fecharam em queda. O DAX, de Frankfurt, caiu 0,81% e o CAC 40, da Bolsa de Paris, recuou 1,34%. O FTSE 100, de Londres, teve desvalorização de 0,46%.

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