Dólar acelera a alta e volta a ser negociado a R$ 3,60

SÃO PAULO – A falta de novidades no cenário político contribui para a alta do dólar comercial nesta segunda-feira. Às 12h58, a moeda americana era cotada a R$ 3,601 para compra e a R$ 3,603 para venda, valorização de 1,15% ante o real – na máxima a divisa chegou a R$ 3,61. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) tem queda de 2,15%, aos 49.474 pontos.

A alta do dólar ocorre mesmo sem o Banco Central (BC) ter vendido a integralidade dos contratos de swap cambial reverso (que equivalem a uma compra de moeda no mercado futuro). Foram vendidos 8,140 mil dos 14,1 mil contratos ofertados no leilão desta manhã. Mas embora não tenha conseguido vender todo o lote, a autoridade monetária tem reduzido a rolagem (renovação) dos swaps tradicionais, o que também exerce uma pressão sobre a moeda.

Na avaliação de Raphael Figueredo, analista da Clear Corretora, há uma cautela por parte dos investidores devido ao ambiente político. Sem grandes novidades no processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, as compras de moeda acabam prevalecendo. De forma geral, os agentes dos mercados financeiros são favoráveis a uma mudança no governo.

— O mercado opera com cautela, esperando novidades ao longo do pregão. Nesta segunda-feira, o governo faz a sua defesa. Lá fora, também não há nenhuma notícia que possa mudar essa tendência — afirmou.

Além das discussões em relação à defesa da presidente Dilma, os investidores também estão atentos à possibilidade do vice-presidente Michel Temer sofrer processo similar. Nesta segunda-feira ocorre a última das dez sessões da comissão de impeachment.

Já no mercado externo, a moeda americana está perto da estabilidade, com pequena variação negativa de 0,03%, segundo o “dollar index”, calculado pela Bloomberg.

PETROBRAS PUXA QUEDA DA BOLSA

Na Bolsa, as ações da Petrobras puxam o índice Ibovespa para baixo. Os papéis preferenciais (PNs, sem direito a voto) da estatal caem 5,26%, cotados a R$ 7,92, e os ordinários (ONs, com direito a voto) têm desvalorização de 3,22%, a R$ 10,19. A queda é mais intensa do que a registrada pelo petróleo no mercado externo. O recuo é de 0,83% no barril do tipo Brent, cotado a US$ 38,35 .

Para Figueredo, da Clear, a espera de novidades no campo político, os investidores aproveitam para embolsar os ganhos dos últimos pregões. Essa realização de lucros acaba atingindo de forma mais intensa os papéis de maior liquidez.

O setor bancário, que tem peso importante na composição do Ibovespa, também está no vermelho. As ações preferenciais do Itaú Unibanco e do Bradesco recua, respectivamente, 1,97% e 2,03%. No Banco do Brasil a queda é de 2,83%.

No exterior, os indicadores europeus operam em alta e, nos Estados Unidos, em terreno negativo. O DAX, de Frankfurt, tem leve alta de 0,10%, e o CAC 40, da Bolsa de Paris, registra variação positiva de 0,38%. O FTSE 100, de Londres, tem alta de 0,27%. Nos Estados Unidos, Dow Jones tem desvalorização de 0,19%, e o Nasdaq está perto da estabilidade, com pequena queda de 0,21%.

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